Quarenta anos se passaram como um solo rápido de bateria.
Minha juventude dos 25 anos transformou-se em uma maturidade cheia de ritmo. Eu
não faltei a nenhuma sinfonia desse espetáculo. Estava lá em 1991, pulando com
o Guns N' Roses no Maracanã, sentindo a energia pura do rock pulsar nas minhas
veias. Voltei em 2001, com o coração aberto "Por um Mundo Melhor",
celebrando a paz sob o céu carioca.
Quando o festival voltou para casa em 2011, meu coração
continuava no mesmo compasso, mas meu lugar já estava definido: longe da grade.
Nunca fui de esmagar o peito no metal por um segundo de proximidade; prefiro o
recuo da pista, onde o som respira e a percepção é maior. Dali, com espaço para
dançar, vi a Cidade do Rock fincar bandeira na Barra da Tijuca, os palcos
brotarem e o bom e velho rock dividir o oxigênio com o pop e o hip-hop. Percebi
que a música, assim como eu, não estava envelhecendo, estava apenas mudando de
pele.
Em 2024, celebrando os 40 anos dessa odisseia, olhei ao
redor. Meus cabelos, hoje totalmente brancos, moldam meu rosto como uma moldura
de sabedoria e vivacidade, mas os meus olhos guardavam exatamente o mesmo
brilho daquela jovem de 1985.
O foco agora está no dia 7 de setembro de 2026. Sem clichês
ou nostalgias baratas, a verdade é que Elton John decidiu esticar a estrada e
tocar no Palco Mundo, e eu preciso ver o piano desse homem de perto mais uma
vez. Quando o festival começar, estarei exatamente onde sempre estive: no meio
da pista, com a cabeça branca se destacando no escuro, pronta para descobrir
qual será a sensação de ouvir Rocket Man ecoar pelo Rio de Janeiro
quarenta anos depois de chafurdar na lama, como gosto. Com muito gosto.


