28 de mai. de 2026

Da guitarra de 1985 à espera do piano de 2026

 


O som daquela guitarra ecoou no meu peito antes mesmo de chegar aos meus ouvidos. Era janeiro de 1985. Eu tinha 25 anos, os cabelos ao vento e os pés afundados na lama sagrada de Jacarepaguá. Quando o Queen soltou os primeiros acordes de Love of My Life, e a multidão iluminou a noite cantando em coro, eu entendi: a minha vida ganharia, a partir dali, uma trilha sonora oficial.

Quarenta anos se passaram como um solo rápido de bateria. Minha juventude dos 25 anos transformou-se em uma maturidade cheia de ritmo. Eu não faltei a nenhuma sinfonia desse espetáculo. Estava lá em 1991, pulando com o Guns N' Roses no Maracanã, sentindo a energia pura do rock pulsar nas minhas veias. Voltei em 2001, com o coração aberto "Por um Mundo Melhor", celebrando a paz sob o céu carioca.

Quando o festival voltou para casa em 2011, meu coração continuava no mesmo compasso, mas meu lugar já estava definido: longe da grade. Nunca fui de esmagar o peito no metal por um segundo de proximidade; prefiro o recuo da pista, onde o som respira e a percepção é maior. Dali, com espaço para dançar, vi a Cidade do Rock fincar bandeira na Barra da Tijuca, os palcos brotarem e o bom e velho rock dividir o oxigênio com o pop e o hip-hop. Percebi que a música, assim como eu, não estava envelhecendo, estava apenas mudando de pele.

Em 2024, celebrando os 40 anos dessa odisseia, olhei ao redor. Meus cabelos, hoje totalmente brancos, moldam meu rosto como uma moldura de sabedoria e vivacidade, mas os meus olhos guardavam exatamente o mesmo brilho daquela jovem de 1985.

O foco agora está no dia 7 de setembro de 2026. Sem clichês ou nostalgias baratas, a verdade é que Elton John decidiu esticar a estrada e tocar no Palco Mundo, e eu preciso ver o piano desse homem de perto mais uma vez. Quando o festival começar, estarei exatamente onde sempre estive: no meio da pista, com a cabeça branca se destacando no escuro, pronta para descobrir qual será a sensação de ouvir Rocket Man ecoar pelo Rio de Janeiro quarenta anos depois de chafurdar na lama, como gosto. Com muito gosto.

25 de mai. de 2026

Te abraço...

 



Não existem palavras capazes de preencher o vazio que a partida do Ronaldo deixa hoje. Mas, em meio ao silêncio dessa ausência, quero que você ouça o eco de tudo o que vocês construíram. O amor de vocês não foi apenas um sentimento; foi uma fundação, uma estrada sólida e generosa percorrida de mãos dadas.

Olhe para trás com orgulho da história que escreveram. Vocês plantaram sementes de bondade, respeito e união em solo fértil. Hoje, os frutos dessa jornada são reais, vivos e lindos. Nos filhos que vocês criaram e nos netos que agora correm pela casa, o Ronaldo continua presente. Ele vive no olhar deles, no tom de voz, nos gestos de carinho e na integridade que herdaram. Eles são o legado vivo de um homem que soube amar e ser amado.

Patrícia, o Ronaldo estará vivo no seu coração por toda a eternidade. Esse laço que vocês criaram é sagrado e nem mesmo o tempo ou a distância física podem desfazê-lo. Ele será sua memória mais doce, sua força silenciosa e o sorriso que surgirá em seu rosto quando você menos esperar.

Nos momentos em que a dor parecer um labirinto sem saída, lembre-se: Deus conhece todas as vielas da sua alma. Ele conhece cada curva do seu sofrimento e cada sombra do seu luto. Ele não a deixará caminhar sozinha. Ele será o seu cajado e o seu apoio para atravessar essa estrada tão difícil, transformando, aos poucos, a angústia em uma saudade serena.

Estou aqui conectada com você, hoje e sempre. 

Você é amada, ele foi gigante, e o amor de vocês é eterno.

Com todo o meu carinho.

TeTe