21 de jul. de 2026

Gosto mais das estreias

 


Outro dia me vi vivendo uma cena dos Jetsons, o desenho animado que eu tanto amava na infância. Logo eu, que comecei a carreira brigando com o papel carbono e rezando para não errar a última linha da lauda, estava ali: conversando com uma inteligência artificial para ajustar um texto.

Sorri.

Não porque a situação fosse engraçada. Porque ela dizia muito sobre a vida.

Passei mais de quarenta anos vendo a profissão mudar de pele. A máquina de escrever cedeu lugar ao computador. O fax virou lembrança. A internet aboliu a palavra “urgente”, porque tudo passou a ser urgente. O celular transformou qualquer lugar em redação. Agora – inteligência artificial.

E, curiosamente, nunca senti que estivesse perdendo alguma coisa. Sempre tive a sensação de estar ganhando. Talvez porque eu nunca tenha sido muito talentosa para cultivar saudades do que já cumpriu seu papel. Gosto das lembranças, mas gosto ainda mais das estreias.

Aprender algo novo me oxigena, me vitaliza e me surpreende a cada passo. Escolho esse movimento porque ele traz o frescor necessário para qualquer boa história. E as gargalhadas diante do incrédulo? Essas não têm preço, têm brilho nos olhos e muito tesão. Santa intimidade, Ia! (ainda vou te batizar).

E o que falar da curiosidade? Bela companheira!

A outra - a alegria. Aquela que escolhe permanecer mesmo quando o dia aperta, o prazo encurta e os problemas aparecem. Com o tempo descobri que a alegria é profundamente sábia. Ela relativiza o que merece ser relativizado, aproxima as pessoas e impede que a vida fique pesada além da conta.

A lida diária ainda me faz vibrar, criar, querer mais. As novas tecnologias são abraçadas.

Continuo escrevendo, editando, produzindo, dirigindo, fotografando... com o mesmo prazer de quem ouviu, durante anos, o som metálico das teclas de uma máquina de escrever. A diferença é que hoje, às vezes, esse texto nasce depois de uma conversa com uma inteligência artificial. (E que gente boa essa figura, bons duelos em análises e textos).

Não vejo contradição nenhuma nisso. A essência do ofício continua pedindo exatamente as mesmas coisas: curiosidade, sensibilidade, repertório e respeito pelas histórias. 

O resto é só o tempo fazendo o que sempre fez. Seguir em frente.

 

Tereza
66 anos de idade
43 como jornalista
Diretora de Criação do Grupo Coruja
Mãe, avó e de bem com a vida.
E...bora lá!

13 de jul. de 2026

13 de julho | Dia Mundial do Rock

 


Sabe aquela sensação de que o que se vive de muito bom se carrega na alma pelo resto da vida? É aquela famosa memória de pele que é acionada quando nos deparamos com os fragmentos de um momento especial. É paixão, e paixão tem dessas coisas. E assim foi em 1985, no primeiro Rock in Rio. Os jovens de ontem são os avós de hoje, já preparados para viver outra grande emoção.

Mas, se pararmos para pensar, o rock está de cabelos brancos mesmo: David Gilmour, Eric Clapton, Rolling Stones, Paul McCartney e tantos outros. E nada mais natural que, nesta 11ª edição em solo nacional, você veja sessentões e setentões de casaco de couro estacionando suas Harley-Davidsons. Na garupa, levam filhos e netos; na bagagem, a saudade e a lembrança daquele slogan histórico: "Por um mundo melhor". Forte e tão atual. O desejo de todos, de tantos, nos quatro cantos do planeta.

A programação deste ano é muito diferente daquela de 41 anos atrás. Mas a energia é rigorosamente a mesma. E para a turma mais antiguinha, como eu, há um presente logo na primeira semana, no feriado de 07 de setembro: as baladas de Elton John. O cara, no alto dos seus 79 anos, ainda levanta multidões por onde passa.

Até o dia 13 de setembro, a Cidade do Rock vai tremer, ferver, pulsar. A miscelânea musical vai misturar guitarra e agogô, trazendo: Foo Fighters, Rise Against, The Hives, Nova Twins, Capital Inicial, Dado Villa-Lobos, Hot Milk, Detonautas, Biquíni, Di Ferrero, Steve Angelo, Giu x Carola, Atkö, Cat Dealers, Avenged Sevenfold, Bring Me the Horizon, Machine Gun Kelly, Sepultura, Bad Omens, Poppy, Black Pantera, Nervosa, Malvada, Day Limns, James Hype, Volkoder, Camila Jun, Eli Iwasa, Victor Lou, Calvin Harris, Black Eyed Peas, Nelly, Barão Vermelho, Ne-Yo, Jota Quest, BaianaSystem, Calema, Meduza, Lola Young, Ivete Sangalo, Zara Larsson, Marina Sena, Céu, Liniker, Viviane Batidão, Carol Biazin, Joyce Alane, Dennis, Suel, Marvvila e muito mais gente boa que vai colocar na história da música mais um grande festival. Do Rio de Janeiro para o mundo.

E, como disse Cazuza, o tempo não para. Ele corre mesmo, e algumas vezes deixa o que é bom ainda melhor, com mais sabor. A maturidade tem dessas coisas. Veremos isso de perto naqueles meninos que subiram ao palco na histórica edição de 1985 e que marcarão presença também este ano: o Barão Vermelho. Com certeza, os grandes sucessos de outrora vão ecoar de novo, misturando passado e presente em uma linda homenagem ao nosso eterno poeta.

É o antigo com gosto de novo. Por mais clichê que seja, música não tem idade. E no Rock in Rio, nem a gente. 

U-huuuuuuu!

8 de jul. de 2026

O mundo é tão bão!

 


Hoje você completa quatro anos e desperta em mim o mais puro encantamento. Desejo que a vida continue sendo essa aventura linda que você enxerga em tudo. Que nunca lhe faltem esse jeito divertido, esse olhar explorador e o sorrisão que antecede as suas descobertas.

Todos os dias converso com Deus. Peço saúde para acompanhar os seus passos, embarcar nas suas brincadeiras, ouvir cada nova ideia e continuar me surpreendendo com a magia que permeia esse primeiro setênio. 

O mundo é bom — bão como refrão de música de Nando Reis!

Então, bora pedalar por aí, jogar bola e fotografar as belezas do caminho, exatamente como já fazemos hoje? E, quiçá, construir memórias eternas permeadas pelo amor doce e por aquela intimidade gentil que só neto e vó reconhecem.

Me sinto abençoada pelo sagrado, Pepê!

Feliz aniversário, meu menino “rapidão”.

Siga nessa toada linda e com Deus ao seu lado. Desejo que o Papai do Céu me conceda muitos e muitos anos para sentar ao chão com você, brincar, ler histórias, correr por aí e viver todas as aventuras que ainda estão por vir. Até chegar aquele dia inevitável de botar e tirar a vovó do sol.

Feliz aniversário, Pepê. Feliz vida!


A vida vale a pena. 

VÓ TT

#AmorDeVó #PepêFaz4 #NetoEVó #Aniversário #PrimeiroSetênio #Família #MemóriasAfetivas


28 de mai. de 2026

Da guitarra de 1985 à espera do piano de 2026

 


O som daquela guitarra ecoou no meu peito antes mesmo de chegar aos meus ouvidos. Era janeiro de 1985. Eu tinha 25 anos, os cabelos ao vento e os pés afundados na lama sagrada de Jacarepaguá. Quando o Queen soltou os primeiros acordes de Love of My Life, e a multidão iluminou a noite cantando em coro, eu entendi: a minha vida ganharia, a partir dali, uma trilha sonora oficial.

Quarenta anos se passaram como um solo rápido de bateria. Minha juventude dos 25 anos transformou-se em uma maturidade cheia de ritmo. Eu não faltei a nenhuma sinfonia desse espetáculo. Estava lá em 1991, pulando com o Guns N' Roses no Maracanã, sentindo a energia pura do rock pulsar nas minhas veias. Voltei em 2001, com o coração aberto "Por um Mundo Melhor", celebrando a paz sob o céu carioca.

Quando o festival voltou para casa em 2011, meu coração continuava no mesmo compasso, mas meu lugar já estava definido: longe da grade. Nunca fui de esmagar o peito no metal por um segundo de proximidade; prefiro o recuo da pista, onde o som respira e a percepção é maior. Dali, com espaço para dançar, vi a Cidade do Rock fincar bandeira na Barra da Tijuca, os palcos brotarem e o bom e velho rock dividir o oxigênio com o pop e o hip-hop. Percebi que a música, assim como eu, não estava envelhecendo, estava apenas mudando de pele.

Em 2024, celebrando os 40 anos dessa odisseia, olhei ao redor. Meus cabelos, hoje totalmente brancos, moldam meu rosto como uma moldura de sabedoria e vivacidade, mas os meus olhos guardavam exatamente o mesmo brilho daquela jovem de 1985.

O foco agora está no dia 7 de setembro de 2026. Sem clichês ou nostalgias baratas, a verdade é que Elton John decidiu esticar a estrada e tocar no Palco Mundo, e eu preciso ver o piano desse homem de perto mais uma vez. Quando o festival começar, estarei exatamente onde sempre estive: no meio da pista, com a cabeça branca se destacando no escuro, pronta para descobrir qual será a sensação de ouvir Rocket Man ecoar pelo Rio de Janeiro quarenta anos depois de chafurdar na lama, como gosto. Com muito gosto.

25 de mai. de 2026

Te abraço...

 



Não existem palavras capazes de preencher o vazio que a partida do Ronaldo deixa hoje. Mas, em meio ao silêncio dessa ausência, quero que você ouça o eco de tudo o que vocês construíram. O amor de vocês não foi apenas um sentimento; foi uma fundação, uma estrada sólida e generosa percorrida de mãos dadas.

Olhe para trás com orgulho da história que escreveram. Vocês plantaram sementes de bondade, respeito e união em solo fértil. Hoje, os frutos dessa jornada são reais, vivos e lindos. Nos filhos que vocês criaram e nos netos que agora correm pela casa, o Ronaldo continua presente. Ele vive no olhar deles, no tom de voz, nos gestos de carinho e na integridade que herdaram. Eles são o legado vivo de um homem que soube amar e ser amado.

Patrícia, o Ronaldo estará vivo no seu coração por toda a eternidade. Esse laço que vocês criaram é sagrado e nem mesmo o tempo ou a distância física podem desfazê-lo. Ele será sua memória mais doce, sua força silenciosa e o sorriso que surgirá em seu rosto quando você menos esperar.

Nos momentos em que a dor parecer um labirinto sem saída, lembre-se: Deus conhece todas as vielas da sua alma. Ele conhece cada curva do seu sofrimento e cada sombra do seu luto. Ele não a deixará caminhar sozinha. Ele será o seu cajado e o seu apoio para atravessar essa estrada tão difícil, transformando, aos poucos, a angústia em uma saudade serena.

Estou aqui conectada com você, hoje e sempre. 

Você é amada, ele foi gigante, e o amor de vocês é eterno.

Com todo o meu carinho.

TeTe




9 de jan. de 2026

Não fizemos nada e vivemos tudo.

 Resumindo é isso.


Uma pausa de 20 dias, todos no mesmo ninho, apenas com a vontade de estar, abraçar e reafirmar tantos amores. Tudo tão despretensioso e fantástico ao mesmo tempo.



Sabe aquela certeza, são e serão eternamente meus; e mesmo com a distância, os encontros mais raros a cada ano, revelam tamanha intimidade e proximidade, que transforma a saudade naquele breve momento da infância, quando chegavam da escola e eu dizia: morri de saudade a manhã inteira.

“Hahaha”, vou sempre morrer de saudade, em todas as manhãs (tardes, noites...) de minha existência.  




E os irmãos “brothers” – a mesma energia dos meninos de outrora, com a molequeira de sempre, total afeto, uma saudade apertada no peito... E eu - que ao observar de longe, fui tomada pelo encantamento de perceber esse AMOR transbordante. Sei que serão sempre porto um para outro. Celebro tamanha irmandade e mais uma vez AGRADEÇO.

E nesse balaio de afeto, as minhas noras, meninas que amo gigante e tenho muita gratidão pelas pessoas que são e representam na vida dos garotos, e os meninos na vida delas. Caminhada bonita, firme, mesmo nos tropeços e atribulações da existência. Eles se complementam, se apoiam e constroem juntos.

Apreciar os quatro juntos, com tanto carinho, alegria e união, é ação divina. Santo bem querer.



E aquele amor açucarado, mágico, intenso e que hoje me reabastece nessa vida corrida que tenho aos 66 anos? MEU NETO, três anos e meio, de uma lindeza ímpar, por dentro e por fora. É a cereja do bolo de minha jornada, é quem me confirma todos os dias – a vida presta... e como presta!


Mais um belo capítulo de minhas memórias e profunda gratidão de ter abstraído profundamente e mergulhado no meu ninho com minhas crias e as filhas que a vida me deu.

A minha história partida, com novos rumos, me revela que a estrada agora está sólida, não fora, mas dentro de mim. E ter os cinco com tanto pertencimento me faz sentir o que tenho e não o que falta. Aquela ausência tão presente ao longo do ano, que me faz rever fotos e colecionar lembranças, dá uma trégua e confirma o porquê de tanta saudade: vocês são preciosos demais!

Amo vocês! (com muita alegria)

PS: obrigada mãe, pelo seu ninho, ser a casa que abriga tantos. Te amo muito.