Sabe aquela sensação de que o que se vive de muito bom se
carrega na alma pelo resto da vida? É aquela famosa memória de pele que é
acionada quando nos deparamos com os fragmentos de um momento especial. É
paixão, e paixão tem dessas coisas. E assim foi em 1985, no primeiro Rock in
Rio. Os jovens de ontem são os avós de hoje, já preparados para viver outra
grande emoção.
Mas, se pararmos para pensar, o rock está de cabelos brancos
mesmo: David Gilmour, Eric Clapton, Rolling Stones, Paul McCartney e tantos
outros. E nada mais natural que, nesta 11ª edição em solo nacional, você veja
sessentões e setentões de casaco de couro estacionando suas Harley-Davidsons.
Na garupa, levam filhos e netos; na bagagem, a saudade e a lembrança daquele
slogan histórico: "Por um mundo melhor". Forte e tão atual. O desejo
de todos, de tantos, nos quatro cantos do planeta.
A programação deste ano é muito diferente daquela de 41 anos
atrás. Mas a energia é rigorosamente a mesma. E para a turma mais antiguinha,
como eu, há um presente logo na primeira semana, no feriado de 07 de setembro:
as baladas de Elton John. O cara, no alto dos seus 79 anos, ainda levanta
multidões por onde passa.
Até o dia 13 de setembro, a Cidade do Rock vai tremer,
ferver, pulsar. A miscelânea musical vai misturar guitarra e agogô, trazendo:
Foo Fighters, Rise Against, The Hives, Nova Twins, Capital Inicial, Dado
Villa-Lobos, Hot Milk, Detonautas, Biquíni, Di Ferrero, Steve Angelo, Giu x
Carola, Atkö, Cat Dealers, Avenged Sevenfold, Bring Me the Horizon, Machine Gun
Kelly, Sepultura, Bad Omens, Poppy, Black Pantera, Nervosa, Malvada, Day Limns,
James Hype, Volkoder, Camila Jun, Eli Iwasa, Victor Lou, Calvin Harris, Black
Eyed Peas, Nelly, Barão Vermelho, Ne-Yo, Jota Quest, BaianaSystem, Calema,
Meduza, Lola Young, Ivete Sangalo, Zara Larsson, Marina Sena, Céu, Liniker,
Viviane Batidão, Carol Biazin, Joyce Alane, Dennis, Suel, Marvvila e muito mais
gente boa que vai colocar na história da música mais um grande festival. Do Rio
de Janeiro para o mundo.
E, como disse Cazuza, o tempo não para. Ele corre mesmo, e
algumas vezes deixa o que é bom ainda melhor, com mais sabor. A maturidade tem
dessas coisas. Veremos isso de perto naqueles meninos que subiram ao palco na
histórica edição de 1985 e que marcarão presença também este ano: o Barão
Vermelho. Com certeza, os grandes sucessos de outrora vão ecoar de novo,
misturando passado e presente em uma linda homenagem ao nosso eterno poeta.
É o antigo com gosto de novo. Por mais clichê que seja, música não tem idade. E no Rock in Rio, nem a gente.
U-huuuuuuu!
