30 de jan. de 2011

Urgência

Eu frequento esse mundo há pouco mais de 50 anos. Devo ter frequentado outros, mas vamos nos ater a esse. Se o ponto de partida desse olhar for o vivido, esbarro em tantas imagens, e vejo os risos que ecoam pelos cantos da casa. Existem alguns sentimentos que nos arrebatam de tal forma, que falta o ar, falta o chão, falta quase tudo. Instala-se uma urgência, no mais amplo significado da palavra. Ah, palavra, verbo, expressão, fica tudo tão vago, tão confuso, sem significado. Mas esse turbilhão de emoções impulsiona, me faz querer ter ou transmutar, me tira da inércia, me obriga a seguir em frente, apenas pelo desejo do regozijo. Fecho os olhos e me pergunto: o que pode ser mais urgente que a saudade?

Saudade: sentimento mais ou menos melancólico de ausência, ligado pela memória a situações de privação da presença de alguém ou de algo, de afastamento de um lugar ou de uma coisa, ou a ausência de certas experiências e determinados prazeres já vividos e considerados pela pessoa em causa como um bem desejável"।


A definição técnica do dicionário está longe de traduzir essa pressão no peito que te faz desejar, que te lança ao objeto dessa urgência। Muitas vezes, o desejado já vive em outra esfera, não está mais entre nós. E para abrandar essa saudade, o recolhimento, a oração, e o prazer das lembranças. E é aí que somos imortais. E o que foi bom, será doce sempre.

E quando essa mesma urgência reside no outro lado da rua, mas o que separa é muito mais do que a partida? E quando o recordar não é viver, mas sofrer? Aí, registre, respire, se olhe no espelho e perceba o quanto você também sente saudade de você mesmo, da sua leveza, do seu sorriso, da sua alegria. E a urgência ganha outra cara, e a saudade tons mais pastéis. E você levanta, e sai às ruas com você, a sua melhor companhia, e descobre que o outro é apenas reflexo do seu olhar, do que criou para si mesmo. E você segue em paz.

Para quem não sabe,

30 de janeiro é o Dia da Saudade.

1 de nov. de 2010

Tia Soninha morreu.

Há quem diga que ela estava pronta, que tinha chegado a hora, e não havia o que a fazer। Há quem diga que ela foi em paz। Mas será? Sei lá. Sei que ela teve um infarto na última sexta-feira, 29 de outubro. Foi levada para o Hospital de Rio Bonito. Constatada a gravidade, colocada numa ambulância para ser transferida para uma unidade que pudesse atendê-la como a eficiência técnica que o caso exigia, em Niterói. Não deu certo. Teve parada cardíaca dentro dessa ambulância, para o desespero de todos e principalmente de sua filha, Marcela, que ao seu lado assistia a tudo. Reanimada, depois de 20 minutos, retornou ao ponto de partida. O corpo médico do Hospital Darcy Vargas fez o que pôde. Incansável, mas guerreiros sem armas para a batalha. O Hospital Darcy Vargas, reformado, não tem UTI. Mas tem piso de granito. Foram horas de tensão, a família sendo informada que ela não tinha condição de outra tentativa de transferência. E lá ficou, entregue à dedicação de médicos e enfermeiros, às orações de muitos, e à dor de tantos. Não deu certo aqui na terra. Sônia, aos 57 anos, deixou filhos, netos, marido, gente apaixonada, dependente do amor dela, da forma doce, pra cima, pela qual encarava a vida e suas dificuldades. Deixou a nós todos, a família, que a ama. Vamos colocar que realmente era a hora dela, sei lá. Mas fica difícil ter esta certeza se ela não teve a chance de receber os cuidados de que precisava. De ser tratada com as ferramentas que a medicina do século XXI coloca à disposição do cidadão. Aqui mesmo, bem perto, no Hospital Santa Helena, em Cabo Frio, a UTI cardíaca é referência para toda a região. Mas não tivemos como chegar lá. Fica o gosto amargo, o sentimento de incapacidade, de que podíamos ter feito mais. Fica uma família despedaçada. Que a nossa dor seja um alerta: forte, gritante, urgente. Que outras Sônias, também tão amadas, possam receber desta cidade o respeito do poder público, traduzido em eficiência e excelência de serviços médicos. Que o Hospital Darcy Vargas tenha mais do que piso de granito e maquiagem de cena. Que o investimento seja real, no que realmente importa, e onde salva vidas. Navegando pela internet, encontrei bela reportagem sobre a transformação do Hospital Darcy Vargas em referência cardíaca. Mas isso foi no mundo virtual, não é real.

2 de abr. de 2010

...


Cresci olhando pra ela. Subi, desci. Levei os amigos. Os amigos me levaram. Juntos, trepamos em árvores, caçamos aventuras. Mergulhamos , corremos, brincamos, CRESCEMOS. Nos afastamos, mas ela sempre ali: soberbamente bela.O tempo passou. E quem um dia acariciou

hoje maltrata. Se não pela devastação, pelo silêncio. A indiferença fere tanto quanto o machado। Salve a Serra do Sambê, salve o nosso quintal, pedaço da gente, pedaço do mundo.

Tempo...tempo



Não pausar o tempo, mas recebê-lo - o que ele traz de longe. Risos reconhecidos, abraços fraternos, gargalhadas infantis. Aquela vontade estar, sem o menor comprometimento com nada, com o ambiente, com o vizinho, com a idade cronológica. Por um momento a criança saltou e o adulto permitiu o correr na chuva, o roubar fruta na casa de seu Bicudo, traquinagem de outrora, com descrição de poesia. Nem sei se combina, mas flui, internamente, e jorra alegria com cara de choro. Que bom saber que essa menina mora aí e continua tão ativa. Que bom reconhecer a outra menina, e brincar. Que bom saber que essas meninas construíram um caminho bonito, cercada de gente bacana, parida com tanta doçura. Que delícia essa troca, esse reencontro... ...Se está esperando um final, não tem. Agora vamos juntar esse povo todo, os seus, os meus, filhos, periquitos e papagaios. Vamos colocar todos no mesmo caldeirão, saborear esse caldo, com gosto de fruta madura, de gente querida. Poesia, arte, amizade... Cabe tudo nesse balaio: eu, você e quem mais chegar.

29 de dez. de 2009

Mauá......................

Arrumo as malas para seguir viagem. Levo na bagagem o recolhimento, o desejo de passar, apenas passar... em sintonia comigo. Foco na mudança, tão necessária. Busco a renovação. Firmo o compromisso de não me perder de mim mesma. Quero a alegria como companheira, mesmo no silêncio. Cachoeira, mata, trilha. Abraço o universo e sigo.

14 de dez. de 2009

Foi natal...


Ganhei uma pulseira. Tão linda. Tão leve. Ela veio com o Natal, que veio antes, que veio num formato diferente, que veio com mesmo carinho. Papai Noel veio; mais presentes ele trouxe; para os meninos com cores diferentes, assim era, quando pequenos. Assim foi mais uma vez. Eles!?! Adoraram: toca, filma, grava, quase fala. E Pode? Ipod! 5.0 – última geração. Teve cartinha, de Mamãe Noel. Uma para cada um. O mesmo texto, mesma história, mas o formato foi diferente.