Falar de você é voltar no tempo, até a época das fraldas. E
das fraldas para as festas foi um pulo. Rimos muito, gargalhamos, aproveitamos
e aprontamos todas.
Você sempre no meu ouvido: “Por aí, nããão, Tetê. Vai com
calma.” E com calma seguimos. E, quando não: “Tetê, porra!”
Casamos, descasamos, tivemos filhos, somos avós, mas nunca
perdemos aquela vontade de seguir assim, juntas, com o familião.
O nosso quarteto desde a infância sempre foi meio mágico:
Eda, você, eu e Ec. Boas fotos, belas lembranças, memórias de uma vida. E,
junto, nossos meninos todos, que hoje estão aí, sessentões.
Enquanto te escrevo, nesse momento que estamos atravessando,
sinto que o mundo espiritual está ao seu lado para a sua passagem. A boca está
seca, o coração apertado, mas a fé é imensa. Fé de que os nossos estarão em
festa te aguardando. E como tem gente nossa por lá... parte importante da nossa
tribo que vai te acolher.
Se é assim, eu não sei. Mas sinto com muita força. E, se tem
alguém que merece toda essa recepção de afeto e luz, é tu, Caluca. Nossa Carmen
Lúcia. Nossa Calu.
Chega de sofrer. Somos alma com corpo, e esse corpo está se
despedindo. Essa matéria cumpriu sua missão, e seu ser precisa seguir para
outra dimensão, continuar sua jornada.
Desapegar é foda. Liberar é parir dor. Mas com a certeza de
que o AMOR por ti é sublime e maior.
Suas filhas, seus netos, seu parceiro ficarão bem. Estaremos
todos perto. Vai doer — vai doer sempre. Mas o que vai ficar mesmo é a saudade
da gente, embolada e misturada. A saudade das nossas histórias, das nossas
gargalhadas, das nossas vidas.
E desde os tempos de fraldas!
Te amo, meu amor.
Siga a luz.

.jpeg)
.jpeg)
.jpeg)

.jpeg)
.jpeg)
