31 de ago. de 2026

Calu!

 






Falar de você é voltar no tempo, até a época das fraldas. E das fraldas para as festas foi um pulo. Rimos muito, gargalhamos, aproveitamos e aprontamos todas.

Você sempre no meu ouvido: “Por aí, nããão, Tetê. Vai com calma.” E com calma seguimos. E, quando não: “Tetê, porra!”

Casamos, descasamos, tivemos filhos, somos avós, mas nunca perdemos aquela vontade de seguir assim, juntas, com o familião.

O nosso quarteto desde a infância sempre foi meio mágico: Eda, você, eu e Ec. Boas fotos, belas lembranças, memórias de uma vida. E, junto, nossos meninos todos, que hoje estão aí, sessentões.

Enquanto te escrevo, nesse momento que estamos atravessando, sinto que o mundo espiritual está ao seu lado para a sua passagem. A boca está seca, o coração apertado, mas a fé é imensa. Fé de que os nossos estarão em festa te aguardando. E como tem gente nossa por lá... parte importante da nossa tribo que vai te acolher.

Se é assim, eu não sei. Mas sinto com muita força. E, se tem alguém que merece toda essa recepção de afeto e luz, é tu, Caluca. Nossa Carmen Lúcia. Nossa Calu.

Chega de sofrer. Somos alma com corpo, e esse corpo está se despedindo. Essa matéria cumpriu sua missão, e seu ser precisa seguir para outra dimensão, continuar sua jornada.

Desapegar é foda. Liberar é parir dor. Mas com a certeza de que o AMOR por ti é sublime e maior.

Suas filhas, seus netos, seu parceiro ficarão bem. Estaremos todos perto. Vai doer — vai doer sempre. Mas o que vai ficar mesmo é a saudade da gente, embolada e misturada. A saudade das nossas histórias, das nossas gargalhadas, das nossas vidas.

E desde os tempos de fraldas!

Te amo, meu amor.

Siga a luz.













21 de ago. de 2026

Do jogo proibido à Copa em casa

 



Durante quase quatro décadas, jogar futebol no Brasil não era permitido às mulheres. Entre 1941 e 1979, uma legislação impediu que elas praticassem o esporte. Elas jogaram assim mesmo. Encontraram brechas, desafiaram o preconceito e mantiveram viva uma paixão que insistia em não caber nas regras.

A proibição acabou, mas o reconhecimento demorou a chegar. O futebol feminino só foi regulamentado oficialmente em 1983 e, em 1991, o Brasil disputou sua primeira Copa do Mundo. De lá para cá, a modalidade conquistou espaço, revelou talentos e construiu seus próprios símbolos. Entre eles, Marta, seis vezes eleita melhor jogadora do mundo e maior artilheira da história das Copas, entre homens e mulheres.

Agora, essa trajetória chega a um momento histórico. Em 2027, o Brasil será o primeiro país da América do Sul a receber uma Copa do Mundo Feminina da FIFA. E a Seleção vai começar sua caminhada no Maracanã, diante de uma torcida que conhece futebol como poucas no mundo.

Mais do que sediar uma competição, o Brasil recebe uma história que começou com portas fechadas e chegou aos grandes estádios. Uma história de resistência, talento e conquista.

A bola vai rolar. Mas, desta vez, ela carrega uma história inteira para dentro de campo.