Durante quase quatro décadas, jogar futebol no Brasil não
era permitido às mulheres. Entre 1941 e 1979, uma legislação impediu que elas
praticassem o esporte. Elas jogaram assim mesmo. Encontraram brechas,
desafiaram o preconceito e mantiveram viva uma paixão que insistia em não caber
nas regras.
A proibição acabou, mas o reconhecimento demorou a chegar. O
futebol feminino só foi regulamentado oficialmente em 1983 e, em 1991, o Brasil
disputou sua primeira Copa do Mundo. De lá para cá, a modalidade conquistou
espaço, revelou talentos e construiu seus próprios símbolos. Entre eles, Marta,
seis vezes eleita melhor jogadora do mundo e maior artilheira da história das
Copas, entre homens e mulheres.
Agora, essa trajetória chega a um momento histórico. Em
2027, o Brasil será o primeiro país da América do Sul a receber uma Copa do
Mundo Feminina da FIFA. E a Seleção vai começar sua caminhada no Maracanã,
diante de uma torcida que conhece futebol como poucas no mundo.
Mais do que sediar uma competição, o Brasil recebe uma
história que começou com portas fechadas e chegou aos grandes estádios. Uma
história de resistência, talento e conquista.
A bola vai rolar. Mas, desta vez, ela carrega uma história
inteira para dentro de campo.
