Primeiro de julho, completaria 83 anos. Sigo contando, te
amando e percebendo em mim um tanto de você. Te amo, pai, ao infinito e
além!
Primeiro de julho, completaria 83 anos. Sigo contando, te
amando e percebendo em mim um tanto de você. Te amo, pai, ao infinito e
além!
Em cada cantinho dessa casa, arte, botão em flor, propósito.
E em um momento de perda, de dor, o amor se mostra ponte para essa travessia.
Olhá-los e sentir que o caminho escolhido ecoa com a frase de John Muir: “o
caminho mais límpido para adentrar o universo é através de uma floresta
selvagem”.
E quantas florestas já ultrapassaram, quantas picadas foram
feitas para abrir caminho? Muitas e seguem de mãos dadas, mais fortes do que
ontem e mais unidos do que nunca.
Obrigada pelos dias, pelo carinho e pelo encontro.
Ah, já ia esquecendo:
morro de orgulho, dos dois.
Brincar no quintal sempre foi a grande aventura da infância, que se estendeu a outros jardins, bosques, matas e tantos setênios.
Da serra do sambê a caatinga, cada pegada deixada por aí traz tenra memória.
Hoje afirmo e reafirmo - o verde me salva todos os dias.
Fauna e flora são doses diárias de vida e sem contraindicação, mesmo quando
esbarro com um jacarezão e tomo pito do filho. Certo ele. Atenção, vovó!
E esse lero lero todo é pra contar que apresentei meu
quintal ao meu neto. No alto dos seus 21 meses, vimos garças, jacarés, micos,
caminhamos na trilha, pedalamos, passeamos e aqueles olhinhos curiosos
acenderam meu próprio olhar.
E como é bom!!!
E como agradeço a Deus a oportunidade!!!
Mais aventuras virão, meu Pepê! Sua avó tem muita coisa para
lhe mostrar e muita história pra contar.
E saiba que na minha linha do tempo caminhar com você ao lado é pura
magia e encantamento. Gratidão por tanto,
Ju e Lipe.
E que a sorte a minha!
Ele chega, se instala e não pede
licença.
Quando você percebe, aconteceu. E com uma espontaneidade difícil
de se traduzir.
Assim hoje me deparo com a minha própria imagem e esse
cabelo branco, tão lunar, me remete à uma serenidade na alma que é antítese da
rotina diária.
Equilibrar esses dois mundos no mesmo ser talvez seja o meu
maior aprendizado no momento.
Qual lição preciso tirar?
Como equacionar o que a vida prática exige com o que minha
alma anseia?
Sigo observando. As vezes não entendo, mas sempre buscando a aceitação.
E quando pego meu neto colo, as sensações se materializam e confirmam o que a alma vem soprando em meus sonhos: desacelera.
Mas aí...
Pausa.
A poesia se recolhe quando a manhã chega.
Bora lá, Tete!
30
dias de novas descobertas. E como é lindo aos 62 anos aprender tanto e amar de
forma tão leve, solta, livre e fluída.
Venho
descobrindo que ser avó é grande aventura e entender (e sentir) o tal pó de
pirlimpimpim é sublime.
Esse
amor me transporta para um universo mágico e colorido.
Que
venham os lápis de cor, bola de gude e pipa. Por ora, cantiga de ninar,
colinho quente, longas conversas silenciosas e a doce suavidade do nosso bebê
que é santa benção para todos nós.
Gratidão, Ju e Lipe.
Pedro Oliveira Souza Brandi Dalmacio
Nome grande, forte, nome carregado de afeto e que nos
emocionou. Primeiro ao seu Tio Pedro, que com ar de surpresa custou a assimilar
a homenagem do irmão, seu pai.
E eu então, meu neto amado, fui tomada de tamanha alegria e ao processar essa homenagem - fui me comovendo conforme o cenário afetuoso se revelava.
Na minha observação, via seu pai e seu tio, ainda meninos,
crescendo, tecendo esse fio forte de amor que veio a ampará-los no momento que
mais precisaram e assim será sempre.
Fato é, que senti muito orgulho desse amor dos meus filhos,
dessa união, dessa irmandade visceral, dessa cumplicidade de vida e da alegria
que carregam e se manifesta com tanta força quando se encontram.
Pedro, você é soma de tantos amores. Começando pela sua mãe,
que gestou você com leveza, alegria, com um amor sublime que transbordava; e hoje
com você no colo tudo isso foi elevado a potência máxima. Sinto por ela admiração,
amor e tanta gratidão.
E o que dizer do seu pai, que ali, lado a lado, com sua mãe,
vem aprendendo a ser o seu paizão. Como ele está feliz. Como ele exala esse
amor e como anda sonado. (rs).
Pedro, neto meu, você mandou muito bem quando escolheu os seus pais. E seus pais foram inspirados pelo seu anjo da guarda quando definiram o seu nome.
E eu, mais uma vez sou grata a Deus e ando rindo à toa com a sua chegada.
Pedro, vai crescendo...
Eu, vou escrevendo e construindo também a nossa história.
beijo da vó Tete.
“ASSIM QUE A MULHER DESCOBRE QUE TERÁ UM FILHO,
UM SENTIMENTO SOLENE DESPERTA: O DE QUE A ELA
FOI DADA UMA TAREFA MUITO IMPORTANTE, DE QUE
NELA
SE OPERA UMA VONTADE DIVINA. E ASSIM ELA SE
ABRE EM
DEVOÇÃO A ESSE SER QUE ESTÁ POR VIR, RENUNCIA A
SEUS
DESEJOS MUITAS VEZES, ABRE MÃO DE CONFORTOS E
VAIDADES. MAS, ANTES MESMO DESSE MOMENTO,
ANTES MESMO DA CONCEPÇÃO, A CRIANÇA JÁ EXISTIA
COMO INDIVÍDUO NO MUNDO ESPIRITUAL. NÃO ERA
VISÍVEL
FISICAMENTE, MAS JÁ ESTAVA LÁ. DE ACORDO COM RUDOLF STEINER,
O CRIADOR DA ANTROPOSOFIA, PODE-SE DIZER QUE DA MESMA
MANEIRA QUE O PAI E A MÃE SE PREPARAM, AGUARDAM E SONHAM
COM A CHEGADA DESSA CRIANÇA, AQUELE ESPÍRITO TAMBÉM SE
PREPAROU AO
ESCOLHER SEUS PAIS, OS QUE TORNARÃO POSSÍVEL SUA VINDA E
ESTADIA AQUI NA TERRA.”
A maternidade é divina, mas ser avó é puro encantamento.
É forte... e tão suave.
Ao longo da gravidez da Ju esse amor foi se instalando.
Antes de dormir conversava com você e assim foi ao longo dos meses.
Contava história, falava sobre os pais que escolheu pra si (e que bela,
escolha!!!...). Na beleza desse casal, da sintonia, da alegria que emoldura
esse amor dos dois.
Enquanto você crescia no ventre da sua mãe, eu gestava esse
sentimento tão feliz.
E você chegou, bebê.
10 de julho é a data desse nosso encontro físico, de
colocá-lo no colo e ficar embebecida com esse primeiro toque.
Descrever esse momento é tentativa. Materializar tamanha ternura não é tarefa fácil, mas é mais amor.
Na sopinha de letras, cantigas de ninar acordam memórias tão bem guardadas e aquele fiozinho vira cena e a linha do tempo dá o seu show na telona da minha existência.
...Que belo filme, Dona Tereza!
E onde foi mais custoso, se revela agora como oração atendida.
Ser avó é soma. É multiplicação. É o universo conspirando de
forma sublime. É amor que rege, alimenta e regenera.
Ju e Lipe... que esse amor siga assim: bússola, norte e alimento.
Nesse tripé - a força, a beleza e a unidade.
E esse belo menino... chama-se Pedro.
A escolha do nome, outro capítulo de puro afeto que ficará
para outra narrativa. Mas já digo aqui, mais um precioso momento da minha
biografia.
Gracias a la vida!
Numa época distante, era tanta beleza, tanta beleza... que dia e noite se abraçaram encantados com a magia da luz e sombra.
Assim amanheceu... e a lua insistindo em ficar, enfeitiçada por aquelas notas musicais, apreciava a tão bela sinfonia como se estivesse ao lado daquela pequena orquestra alada.
Já no lago, um pouco mais abaixo, tendo ainda a lua como testemunha, amanheceu noite estrelada
e a garça em puro espanto se viu sombra, para no momento seguinte incandescer em tanta luminosidade.
Esmiuçando a minha linha do tempo diante de tamanho espanto vivido, nada foi mais impactante de perder a fala, as pernas bambearem e ficar sem ação do que aquele 8 de dezembro de 2021.
Precisei sentar-me, respirar para assimilar aquele tão desejado cartão. E assim sigo, com um misto de encantamento e profunda alegria. Já te vejo, te cheiro, te acaricio, conversas sem fim todos os dias antes de dormir. De uma certa forma, sei que esse lero lero chega até você e eu tenho dormido como um bebê depois dessas conversas todas.
Enquanto cresce forte dentro da barriga da sua mãe eu corro
atrás do prejuízo aqui fora. Atividade física, dieta, voltei também pra yoga, pedalando
diariamente, entrando em forma para ver você crescer. Check-up em dia e coração
bombando no compasso do encantamento.
Ah, como já te amo!
Não quero ser a vovó na cadeira de balanço lendo histórias
para você. (mas quero também, vai!). Mas desejo sentar ao chão, jogar bola de
gude, soltar pipa, mil brincadeiras e passarinhar com você, meu menino. Quem sabe
não será também amante da fotografia da natureza com sua avó aqui, mas também
isso não tem a menor importância.
Importante mesmo é esse AMOR todo que permeia essa espera e
será alimento por toda a minha existência.
Você vai nascer em uma casa bela, construída no afeto, respeito
e carinho. Os pais que escolheu para você não poderiam ser melhores. Gente do
bem, tão lindos, tão apaixonados, tão felizes com essa família que germina
todos os dias e vem transformando a eles e nós todos.
Você tá bem servido, moleque! Avós apaixonados, dos dois
lados. Muita gente aqui te esperando com tanta emoção.
O mundo anda meio louco e vai ser muito bom ter você aqui
pra ajudar a gente nesse processo todo de transformação que o planeta precisa e
nossa alma clama.
Segue aí, crescendo... crescendo... crescendo!
Sigo aqui, vibrando amor e esperando para por você no colo.
Deus te abençoe, meu
pequeno!
Nem ontem, nem amanhã. O aqui e agora: forte, viçoso, vital
e tão você, minha mãe.
Celebramos sua biografia, sua semeadura e tantos frutos
colhidos.
Quatro filhos, 11 netos, dois bisnetos e o terceiro a
caminho. Casou aos 16 e completa 80 anos de pura bravura e fé. A alegria é a
grande cereja do bolo desse banquete que sempre nos serviu e presenteou.
Sinto imensa honra de ser sua filha e agradeço a minha
escolha todos os dias, ainda aprendo muito com você.
E sigamos assim, juntas, plenas e vibrando amor sempre.
Te amo. Feliz aniversário!
Há alguns anos a fotografia se tornou observação da natureza
e um belo encontro comigo. Entro, encontro o avesso e me refaço.
A natureza é pulsante em mim desde a infância. Conviver com
a fauna, ter em casa animais que meu pai trazia de suas andanças, aciona essa memória
feliz, que tem sido bela companhia, principalmente quando o silêncio é
linguagem. E o processo foi tão natural, orgânico, involuntário e remédio curador.
E nesse momento, você está junto. Estará sempre e como isso é bom. Gratidão por tanto.
Me deparei com oração de Santo Agostinho e percebi - com
força na alma - que assim seremos daqui pra frente.
Saiba que estamos todos bem, um cuidando do outro e todos
acolhendo mamãe. Sua presença segue forte, marcante e visceral. Juntos
mergulhamos nas memórias e rimos de tantos causos narrados por você. Cada um
tem uma história contada por ti, aqui e ali.
No dia da sua partida, 3 de novembro, percebemos também a
força da vida e da renovação. Nasceu Aurora, sua segunda bisneta. Luz e beleza
em um momento de tanta dor. Fomos abençoados divinamente.
E falamos sobre o nascimento dela no dia 2, falamos dessa
alegria imensa. Falamos da vida e da morte, com serenidade. Aliás nunca tinha
visto você, meu pai, com tanta aceitação, paz e resiliência. Essa minha
percepção de ti me revelou que a sua passagem estava próxima, por mais que eu
verbalizasse pra você, que iria superar. Mas eu sabia, nós sabíamos.
Quando nos despedimos nesse dia, disse o meu “eu te amo
tanto” e você respondeu: obrigada, filha. Obrigada, por tudo. E ali tive
certeza do nosso último encontro, por mais que ainda planejasse com mamãe mais
uma visita.
Aqui estou, uma semana sem a sua presença física e saiba que
nunca foi tão visceralmente presente em mim. A sua ausência permeia minha
existência e assim será sempre. Honro tanto o afeto e o pai de menina que foi a
vida toda. Seu colo, suas bênçãos serão eternos.
Fica em paz, estamos em paz e cada vez que estivermos
reunidos celebraremos a sua vida, vamos rir, chorar também, mas com certeza o
amor será o condutor entre nós.
Bença, pai!
Mergulharemos ainda nas suas gavetas, mas daqui a pouco.
Seu cheiro permeia nossos corações, está nos cantos da minha existência e na gratidão que sinto por ter tido colo por tanto tempo. Santo privilégio, aos 61 anos, chegava na nossa casa e você dizia: senta-se aqui no colo do pai!
Fica tranquilo,
vamos cuidar da mamãe. Somos quatro filhos, 11 netos, dois bisnetos e um bando
de gente que ama você e a ela.
Fica em paz. Tua luz
não se apagou, brilha em cada um de nós e honraremos seu legado, o amor na
construção dessa família.
Te amo, papai.
Ao universo agradeço, a sua presença em minha vida e da minha família. Você é a tia dos meus meninos, a que os viu crescer e esteve presente sempre. Mesmo longe, cuida.
Você é irmã, amiga e muitas vezes anjo da guarda.
Além de ser presença e cuidado na vida uma da outra, somos ainda alegria, casa cheia, riso alto. Quantas vezes gargalhamos das nossas próprias misérias até doer a barriga. E como isso foi bom, regenerador e nos devolvia energizadas para a lida.
Sigamos assim, rindo alto, cuidando e que a nossa bússola seja sempre regida pela a alegria e o amor.
Feliz aniversário, Leiloca.
Vida longa!
Todas as benções!
Gratitute.
Enquanto eu buscava com a minha lente o patrimônio histórico no centro da cidade, me deparei com o “patrimônio” sagrado, divino e tão abandonado.
Quantas famílias dormindo na rua, nem uma nem duas, dezenas, gente de todas as idades:
confusas, tristes, sofridas e famintas.
Quando percebi - estava cercada. No primeiro momento pensei:
DANCEI.
Mas não queriam câmera, lente, celular... queriam comer.
Eu nunca tinha visto a expressão "da fome absoluta" me encarar nos olhos. Recolhi o meu medo, atravessei a rua, comprei pão e leite na padaria.
Há muito tempo eu não tomava um café da manhã com tamanha comunhão.
Segui o meu caminho me perguntando o que podemos fazer por
essa legião de desabrigados.
A fome é violenta, urgente e não pode esperar.
Ainda estou procurando o interruptor na parede errada,
buscando a panela no alto, virando à esquerda quando deveria ser à direita,
Chamando José de Dudu e a garrafa de café, meu Deus!!! Ganhou vida própria e a
gente já não tem o mesmo compasso de antes. E meus passarinhos?!? Ainda não encontraram
o caminho de casa. Lamento tanto.
Assim estou eu. Buscando em mim esse ninho para repousar. Será
que quando meus bichinhos descobrirem que a comida continua a ser servida todo
dia, eu também vou descobrir que minhas
panelas estão em novo lugar?
Vai se saber... Sigo observando o voo mais alto, céu azul e
águas calmas.
Covid, eu te convido a se retirar. Leva com você a rosa que desabrochou
enquanto você me abraçava, roubava a minha energia, me assombrava e me jogava
onde não queria estar.
Covid, você insiste em ficar. Cada dia uma dor diferente, você acessa mais que o corpo físico. Mas digo aqui, essa cama não tem espaço para você. Retire-se. Me deixa respirar. Preciso descansar.
Covid, seu fdp insistente. Saiba que, minha fé é maior que
você. Minha rede terráquea é poderosa; a espiritual, gigante. Exércitos de
médicos, amigos, família e anjos.
Covid, vamos para mais um dia. Cansada sigo, dor ainda, mas
a chave virou. Me agiganto na certeza de que não estou só e que essa batalha
será vencida.
Covid, vaza!
Três de outubro, pra mim, representa gratidão.
E agradeço a sua vida, Leiloca.
Você que é irmã, amiga e também anjo da guarda.
A alegria pontua o nosso encontro, que caminha para os trinta anos.
Quantas gargalhadas, farras, abraços fortes, sem esquecer do colo farto, esporro na hora certa, acolhimento sempre.
Somos a certeza que a amizade é o mais puro amor. Contamos uma com a outra sem escolher a situação.
A confiança construída é estrada segura que transitamos com
total leveza, transparência e entrega.
Feliz aniversário, Leiloca. Vida longa.
PS: Festeja, festeja muito, porque se tem alguém que adora
aniversário - é você.
Lembra o quanto adorávamos as festas de aniversários das crianças? Hahaha.
Boas histórias!
03.10.2020
Sete da matina e eu já na rua, destino: Grumari. Sexta
chuvosa, nuvens ameaçadoras, uma vastidão de mata deserta. Santo privilégio.
O mar não estava pra peixes e nem surfistas.
Ando pra cá, ando prá lá, chafurdo na lama e me deparo com a
porta do céu. Nem anjos, nem querubins, mas a natureza pulsante, viva, colorida
e abençoada.
Duas horas de puro encantamento. Retorna para a labuta
diária com a alma leve e em profunda gratidão.