26 de mar. de 2013

Ananda Surya



Eu ainda engatinhando e você me puxando pela mão.
E olho para cima extasiada com a leveza, com a transformação e com tantas possibilidades.

Os primeiro passos, tão possíveis, correm soltos por essa sala, que há nove anos abriga tantas descobertas, encontros e reconstruções.
 
O que sinto: agradecimento.
 
O que vejo: dedicação, entrega, trabalho sério e muito comprometimento.
 
O que desejo: que esse chão me abrace todos os dias. Que me envolva e me devolva a mim mesma.
 
O resultado disso tudo, é soma mágica, aquela que se multiplica na prática e se divide, sem subtrair.
 
Assim, levamos com a gente o melhor de nós mesmos: que descobrimos, no movimento, na respiração, na condução serena, da Ju, do Léo, em cada aula.
 
Parabéns pelo caminho escolhido e pela estrada que percorrem. Obrigada, pela jornada iniciada. 
 
 Ju e Léo,
Parabéns, meus queridos.

21 de mar. de 2013

Aqui e agora


Olhar para traz e começar a pintar outra tela, é benção.

Agradecer a cria, pedaço nosso, é dádiva.

Perceber que o melhor que tenho na vida – também veio de ti, me traz paz.

Chegar aqui, foi duro.

Mas como é possível olhar de outra forma, sentir sem estar contaminada pela dor.

Criar esse distanciamento, ordenar o baú e não queimar o passado.

Ele é rico, têm gargalhadas, cumplicidade, crescimento, tem história, alegria e vida.

E vai chegar o dia em que, como amigo sentaremos, e veremos fotos antigas, de uma família
que passou pelo desmantelo, que ainda não se reconstruiu totalmente , mas traz no seu DNA:
o aconchego de uma casa amorosa, de colo farto e riso frouxo.

Filhos, não foram o planejado. Mas é o possível.  E pai e mãe estão aqui. 

Gente que ama, que cuidou com toda ternura, que velou o sono de dois meninos tão amados, que riu no riso do outro, que dormiu todo mundo embolado, que acompanhou cada fase desse crescimento mágico...

Hoje, homens que são, buscam seu próprio caminhar.

Eu, na plateia: torcendo, agradecendo e percebendo que o que foi plantado, germina e frutifica. A colheita será farta, sem hora marcada, sem pressa, no tempo de cada um.

Bom estar nesse lugar nesse momento e que ele se mantenha.

Um dia de cada vez. No aqui e agora...ESTOU EM PAZ.

Eu Aceito, eu confio, eu entrego e AGRADEÇO.

Obrigada! 



17 de mar. de 2013

...


Sabia que um dia iria me alcançar.

Sentia que chegaria o momento de não poder fugir mais.

Por muito tempo adiei esse encontro, essa jornada, o início do trabalho.

Passamos anos enamorados, um encontro ali, uma roçar de dedos ali, um chamado.

Agora cá estou, não sei se pronta, mas inteira, coberta com o desejo mágico da
própria existência.

15 de mar. de 2013

Mergulho

Há mais de duas décadas a yoga entrou em  minha vida. No meu ser sempre esteve, tenho certeza *disso* hoje. 

...E não apenas aqui. Mas deixa lá, isso é outro capítulo.

Ida, vindas, abandono, reencontro... mas em momento alguma perdi a consciência corporal. 

Essa poderosa ferramenta atuou forte, gritante, quase me pegando pelos cabelos, me sacudindo e me protegendo de mim mesma.

Agradecida sou.

Longe de estar pronta, longe de saber qual o é caminho, mas tão perto no sentir. 

Também no ir, no vir, onda que me leva, onda que me traz...

M  E  R  G  U  L  H  O...

O que para o outro é um dom “divino”, pra mim, é minha forma de ver, sentir, dividir, somar e multiplicar.

Assim, me recomponho. 

A energia serpenteia, forte, colorida, orgasmo pleno, prazer criativo. 

Ela sabe onde ir. Ela reconhece sua morada. 
O momento é de espera.



3 de mar. de 2013

Sapato velho



Que poder você tem que me faz ignorar tantos - em detrimento de um.

Há!

Será a forma de me conduzir?

Ou a cor que acaricia a alma?

...
Preocupada, fico. Não lhe dou descanso.

Enquanto escrevo - você me fita. 

Se faz moldura numa manhã de domingo.

Galeria

A P R O X I M A. Afasta.

Toma mais distância. Volta.

Recua novamente.

As pupilas já 

cansadas, perguntam:

Que diabos ele está fazendo?

O novo

Enquanto espero, inspiro.


Tantas possibilidades. O desconhecido atrás do portão.

Aguardo: cores, padrões, texturas. Belezas que meu olhar ainda desconhece.

O momento está próximo, mas o relógio teima em arrastar os segundos.

E eles... zombam de mim.

18 de fev. de 2013

Om Mani Padme Hum

O tema da aula de hoje, gentileza.

Mas ela veio antes, na forma mais doce e plena.

No abraço saudoso. 

No mantra, que agora carrego *também* na mão.

No acolhimento que me faz reconhecer no outro, um reencontro.

Tão mais antigo - tão mais distante. 

Real, vai se saber.

Mas forte, com certeza.

E a aula gentilmente começou.

E a casa me recebeu. 

O chão me abraçou.

E me senti PLENAMENTE agradecida.

12 de fev. de 2013

Tô pra brincadeira


 O carnaval tem dessas coisas, te coloca no seu lugar.
Cada um é o que é, de verdade. Quem não entra na roda, olha de longe.
Quem põe a saia pra girar, sinaliza.
Tudo é claro, tudo é às claras.
O Batman colocou na avenida o que todo mundo já sabia.
Fantasias viram traje a rigor.
Aquela, que você deixa guardadinha  o ano todo, mas quando chega a hora: é emoção, o mais puro tesão.
Cores, caras, bocas. Muita roupa, pouca roupa, não importa.
A gente se desnuda e percebe que o que se é: É.
Abre alas, que eu quero passar.
Entrei na roda e tô na brincadeira.




9 de fev. de 2013

Borboletas no estÔmago



Quanto aprendizado. Quanta novidade. Quanta descoberta.

Fui uma adolescente vibrante, multicolorida, por dentro e por fora.

Vivi sempre com muita intensidade, me lancei no prazer, me joguei em paradas malucas, e nunca me arrependi de nada, até pq *tinha e tenho * uma anjo da guarda totalmente focado.

Obrigada, parceiro.

Alguns lençóis, muitos encontros: rápidos, fugaz, extremamente gostosos.

Quando me deparei com aquelas borboletas no estomago, percebi que ali tinha um tempero diferente, e embarquei.

Naveguei por quase três décadas.

Desembarquei, muito a contragosto, mas hoje estou em terra firme.

E sento agora,quase em oração.
Escrevo, em comunhão comigo mesma.

E essa necessidade suprema de expressar veio enquanto molhava plantas, arrumava o pequeno jardim, olhava para esse pequeno mundo – construído com tanto esmero.

Observava o beija flor e mais um bando de pássaros, que descobriram o gosto do fast food, comida rápida aqui - na minha varanda.
Alpiste do bom, colocado diariamente para essa turma colorida e barulhenta, no meu santo chão.

E nesse relance, pensamento doce, me veio cada cômodo, cada objeto e as doces e belas borboletas que nesse momento voam no meu estÔmago.

Que coisa mais gostosinhaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa.

Percebo que o macro não me cabe mais, que o micro, o pequeno, o aconchego, me abraça com tanta propriedade...hummm.

Essa sensação de terra firme, de porto seguro, que começa a plantar na sola dos meus pés, tem  me acariciado com muita ternura...

...Que por um breve segundo tive até medo de sentir. Medo de não ser.

Saca aquele velho clichê...medo de água fria? Então!

Sei lá, vai se saber. Depois de tanta tempestade a gente fica mais alerta.
 
Mas relaxei.
Voltei no tempo e lá estava ela: aquela menina maluquinha, doidinha de tudo...sem medo de nada.
E me peguei adolescente aos 53 anos e com o ganho da maturidade.

Olhei para o meu castelo, possível graças aos meus anjos da guarda (que estão encarnados, diga-se de passagem). Deleitei-me em tanta cores: dentro e fora.

Poeira, ainda alguns cacarecos, mas aqueles que a gente entulha no quartinho da bagunça e nem lembra que existe.

Um dia você faz a faxina...ou não. Procurando um não sei o que...que pode vir a servir ao outro.

Assim acho minhas melhores fantasias e saio agora, para ver  o bloquinho passar.
 
Saio cantarolando uma velha canção, nenhuma marchinha (ainda): 

Mas era feita com muito esmero, na rua dos bobos, número zero.”

E ME VEM OUTRA:
'Sacundim, sacundá. Nem vem q. não tem!

Hoje – é carnaval. Muito mais aqui dentro.
 
 Ah, anjo da guarda, vem comigo e não perde o foco.

hahahahaha


26 de jan. de 2013

Outro caminho




 
Busco novos caminhos.
As antigas estradas não me servem mais.
E observo.
Há tanto as perdas me rondam.
Há tanto as perdas me roubam.
E quando se relaxa, ela está lá de espreita.
E me confunde nessa veste colorida.
Nesse sorriso farto, nessa entrega duvidosa.
E zomba de mim com total candura.
E a indignação me arrebata, quase no mesmo lugar.
Não há como confiar.
É hora de seguir viagem, mesmo com as malas por fazer.
 

24 de jan. de 2013

Ei, 2013 chegou

Chegou sem cerimônia, dono do tempo e espaço e remexendo em velhas feridas.
Fiz diferente, fiquei, recebi de peito aberto com a esperança do abraço curador, que veio no olhar do filho.
Fui, voltei, percebi que a magia sumida está lá, mesmo que não se mantenha.
Percebi que é mais fácil para o  outro cobrar, do que observar o seu próprio quintal.
Mesmices de sempre, fatos corriqueiros repetitivos, não há mais lugar.
Ligação que não veio, encontro que não aconteceu. Lacuna que se abre. Precipício.
De repente, outra página, muita água, o carro roda, e nesse giro o olhar do estranho.
...que olhar acolhedor, que mão protetora, que vazio.
Gelado, frio, com a própria chuva que caía, aquelas de março que fecham o verão e dessa vez veio antes da hora.
 
E a tempestade derruba paredes, lava não apenas o chão, mas retira o que antes seria impossível deixar de existir.
 
Tudo é possível. O nunca - não existe - e o para sempre NUNCA será. Vai entender.


23 de jan. de 2013

Tão ácido, tão doce...

Há muito tempo vem tudo junto, embolado, misturado. E pensar que o que é bom, ficou ainda melhor.
Hoje me lembrei de você passando as férias em Ilhéus, lá pelos seus oito anos,  e dizendo que queria morar comigo.
Eu, respondi: quem sabe um dia, quando você estiver grande.
E como você está grande, menina. Cresceu e desabrochou, revelou o que eu já sabia: essa figurinha ímpar, energética, pilhada, mas doce como ninguém (num poucos minutos). E é essa mistura que revela suas cores mais preciosas e vibrantes.
Mais que a Dinda que você escolheu, posso dizer hoje, que você é a filha que escolhi.
E essa escolha foi tão sem querer. Veio a partir do encontro de famílias, de amigos queridos, família construída ao longo dos anos...
Você quebrou até o meu discurso.
Sempre me coloquei com mãe de meninos, que menina é um porre (tem um tanto de verdade, vai lá!), mas você tem sido filha: na alegria e na tristeza, pq até quebrar o pau - já fazemos com toda a intimidade - que apenas mães e filhas se permitem.
Feliz aniversário, meu amor. Nesse momento está viajando, num lugar delicioso para festejar:  Amsterdam.
A cidade para os amantes da noite, do novo, da farra. Tudo que nós duas adoramos. Se diverte, vibre, comemore e chegando ao Rio, tem mais.

18 de dez. de 2012


Tão l...o...n...g...e ,
tão pertotão possível
a tal      impossibilidade.

11 de dez. de 2012

Mortiça


São tantas mensagens lindinhas. Muitas, açucaradas em demasias. Outras, glicose pura. Me sinto diabética com restrição total. Mas Pollyanna espalha seu olhar pueril pelos quatro cantos do planeta.
Talvez minha acidez... ou minha história... ou ainda será esse olhar  fotográfico, a busca permanente pelo fato...sei lá, vai se saber.

Mas não consigo, nem um sorriso de canto de boca. A Sensação Pollyanesca, desconheço. Mas imagino que deve ser algo parecido como caminhar em brasas, sorrindo, feliz,  com um balão colorido na mão. Impossível.
Tirar o melhor, do pior. Belo. Mas falsoooo.
Mas tem gente que consegue. Sublime. Grandioso. Iluminado viver assim. Admiro.
Mas não me cabe.
Essa vida morninha, comportadinha, certinha, tudo dentro da caixinha me descabelaaaaaaa.
Gosto do apimentado. Gosto dos extremos.
Quando é bom, não há Pollyanna no mundo que conheça a força dessa sensação.
É de se lambuzar.
Exageradamente gostoso...
Escandalosamente feliz.
Quando é uma merda.
É atoleiro.
Mas sinto assim, prefiro assim.
Ou é quente ou é frio, o morno não me basta.
Por mais que uma ganja aqueça, corpo e alma em algum instante.

Agora...Pollyanninha...não dá.
Sou apaixonada pela família Addams. Amo rabugento.
O direito de mudar é sagrado. Estar em movimento me acalma.

Amanhã? Sei lá, um dia de cada vez, talvez.

11 de nov. de 2012

Quadro a quadro...


E lá estamos nós, não costurando, mas imprimindo novo álbum: nas paredes, na pele, na memória.
Memória essa, aquela que já trazemos na pele, na alma e que não perdeu o tom, não desbotou, cintilante está.

A moldura não podia ser mais a gente. ALEGRIA. Uma vontade ímpar de rir alto, abraçar forte, olhar no olho.
Em cada pedaço de fita cortado, na posição escolhida, na mão de muitos, para cuidar do canto de um. O desejo supremo de escrever na parede: estamos aqui, presentes, inteiras, contando uma com a outra.
História.
Histórias de vida.
Cada uma com a sua narrativa, com suas dores, alguns lamentos, mas com a determinação suprema: ser feliz.

E assim o fizemos. E assim buscamos dia a dia. Não perdemos o melhor de nós.
E quando o telefone toca...

São eles querendo saber da gente. Dos excessos. Da farra rasgada. Num sábado etílico musical. Na vitrola uma trilha sonora. No chão:  passos, dancinhas, o nosso ritmo.
E como é bom sentir que não perdemos o compasso, mesmo atravessando o samba num momento ou outro.

E desligamos o telefone com a certe absoluta: mulheres maduras, com um –q- de criança, como diversos -q’s de adolescente.
E isso nos define.

8 de nov. de 2012

Resiliência...


“Não te deixes destruir...
Ajuntando novas pedras
e construindo novos poemas.
Recria tua vida, sempre, sempre.
Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça.”






Cora Coralina com certeza não deve ter lido o significado da palavra resiliência, mas a expressou de forma sublime.
E engraçado que todo esse contexto permeia minha vida hoje. A necessidade não apenas de enfrentar grandes mudanças, mas transmutar.
Mudar, mudar, mudar, sem endurecer o coração, sem trazer a melancolia para a minha caminhada.
Que tarefa difícil.

 
Andei por muito tempo perguntando pq?
Mas fazia a pergunta errada. E logo eu, que vivo de boas perguntas, de perguntas certeiras.
Virei-me, revirei-me no avesso, ao ponto de não saber qual é o lado certo; mas o avesso vem me caindo bem. E quando acho que encontrei o “modelito” é preciso coser de novo, revirar o tecido, bordar e pespontar nova roupagem.
Confesso, que encontro muito cansaço, que me perco no meio de tantas linhas e agulhas, que não me adéquo bem à veste.
Mas isso agora também sou eu.
Então me desnudo.
Me coloco sob o meu próprio olhar, espelho transparente, e me observo.
Percebo-me hora resiliente, hora não. Resignada, NUNCA.
Sou nesse exato minuto INDIGNADA. Não com a vida, mas por receber da minha maior certeza a INCERTEZA.
Me tornei triste? Não. Com certeza não.
Assim sinto, quando estou com pessoas que amo, que me faz sair desse triturador, que não será permanente.
Atualmente esse é o período mais difícil do ano, talvez por ter sido sempre o período mais doce.


Um brinde a vcs meninas
Um brinde aos meus meninos
Um brinde a vida

3 de nov. de 2012

Também tão eu

A ausência tão presente de mim mesma abriu uma janela.
E nela  me vi, me senti, esvaziei.
Caminhei de mãos dadas, com tão doce cia que há muito não aparecia.
Ai, saudade minha, que bom que me encontrei, mesmo por uma manhã
florida, nesse dia, tão “nós”.

25 de out. de 2012

Castelo de Cartas


Mudança é uma coisa louca. E quando você pensa que já colocou tudo no lugar, o vento leva.

E você fica olhando, meio assim, sem entender.  Mais para surpresa do que para o espanto. 

Eu sento, começa do zero de novo. Subo paredes, pinto o telhado, costuro colchas.
         
 http://asongofpurehappiness.blogspot.com.br
E respiro. Deito na rede e sinto  o aconchego.
No cochilar acordo no vácuo. Percebo  até leve sorriso.
E aí...espreguiçooooo  e subo paredes, pinto o telhado, costuro colchas.

Puxo a cadeira, olho em volta, aqueço o coração.
E a chuva leva.

Exercício? Louvor à paciência?  Ela vem, ela falta. Tudo tão avesso do avesso.
Às vezes busco a Fé – Força – Foco e ligo o FODA-SE...
E nesse avesso me relevo e percebo que o telhado que foi, traz o céu estrelado, mas quando vem à tempestade...
Subo o telhado, pinto o telhado, costuro colchas.

13 de out. de 2012

Santa paciência!?!

A paciência é virtude; também aula que perdi ao longo dos anos, mas que nunca senti muita falta. A vida fluía sem muito tropeço. A falta dela não fazia nem vento, no máximo um sopro forte.

Mas a ventania me pegou, me arremessou e levou o castelo embora. E de repente precisei lançar mão de uma  série de “armas” para a reconstrução... e a casa tá boniiiita. Tem minhas cores, me jeito, minha forma.
- A reconstrução?
- Continua. Estado permanente de mudança. E isso é bom, me deixa “mais pronta” para o minuto seguinte.

E essa tal paciência, que nunca dei muita bola, tem batido a minha porta, deitado no meu travesseiro, me ensinado a sua importância. E quando a ventania vem de dentro, ela grita:

- Estou aqui. Abraçe-me fortemente e espera o vento acalmar.
Mas há quem brinque com Ela. Zombe dela. Ignore todos os seus preceitos. Atropela. Passa por cima, com a certeza absoluta que ela  é apenas PACIENTE.

Ledo engano. A paciência está arrumando as malas para breve férias.
(Imagem Budismo Brasil)

11 de set. de 2012

Exorcismo


Há cerca de dois anos entrei no maior turbilhão
 de minha vida: cinza, feio, frio. No primeiro
momento percebia apenas o tamanho do estrago
 na minha célula, veias, batimentos, transpiração,
 no corpo e na alma. Me recolhi, me fechei com
ostra, me coloquei no colo. Precisei dessa pausa.
 Desse mergulho profundo. Falhei com os
meninos naquele momento, não percebi que o
estrago era profundo, também ali.
Leitura feita, recolhi as crias, recebi mais que dei, descobri nos meus meninos, homens fortes e parceiros. Duas formas distintas, ambas lícitas. Não pedi divisão, não houve divisão. Jamais profanaria esse templo construído com tanto amor.

Impacto passado, hora de recolher os cacos. Fiz
realmente da minha fragilidade fortaleza. Conheci
um sentimento novo chamado “indignação”. E
descobri na pele, que não se tem como
transmutar. E dói.
Silenciei na minha dor. Não dei aos leões, nem o palco, nem o circo. E a escolha desse caminho foi trunfo. Não fui discurso, consegui exercitar, vivenciar, as minhas teorias mais profundas. Me orgulhei nesse momento. Conduzir - com a dignidade da vida construída - na hora da desconstrução, me fortaleceu.

Procurei ajuda, procurei novos caminhos, deitei
no colo dos meus.
Hoje me pego diante do momento mais difícil de todo esse processo e, agora, aqui, enquanto escrevo, toda dor que passei parece menor: a raiva, a traição traiçoeira, a presença de um terceiro elemento na minha vida.

Hoje cedo, na aula de yoga, ele me veio forte.
Lembrei que hoje é seu aniversário. Desejei o
melhor, silenciosamente enquanto respirava, e fui
jogada no que sabia que um dia chegaria: o
lamento da perda, da saudade, da ausência. Dói?
PRA CARALHO. Mas sei que cheguei na última etapa desse processo pessoal de me reconstruir. Registrar. Sentir. Seguir.

Há alguns anos, em outro 11 de setembro, aquele
parou o mundo escrevi:
Enquanto o olhar do mundo se dirigia para aquelas duas torres em chama, eu só conseguia ver outra torre, não tão alta, 1.90m, mas como um fogo que me acende até hoje. Enquanto o mundo parava diante da tragédia, eu em festa.
Afinal que sabor tem o 11 de setembro? Tem gosto de amanhecer melado, de café na cama, de beijo na boca, de amor rasgado. Tem o sorriso largo que desaba, que deságua, que comemora a vida, que festeja mais um ano, sem pressa que o tempo passe.
Ah, onze de setembro, que você me perdoe a falta de lágrimas, a dor o u a indignação. Que você não espere uma cara de espanto ou o medo de outro ataque.
No meu calendário a ação terrorista programada para hoje é outra, bem mais doce, suave, mas com um calor que abasteça as nossas vidas.

Hoje o vazio da torre, o
monumento erguido
no lugar, onde a água
jorra, corre... limpa,
também está em mim.
E aqui, me lavo, me
exorcizo e não
nego o mergulho.
Sento diante de mim mesma e
digo, fica um pouco no colo, reabasteça, a
libertação REALMENTE começou.