11 de set. de 2012

Exorcismo


Há cerca de dois anos entrei no maior turbilhão
 de minha vida: cinza, feio, frio. No primeiro
momento percebia apenas o tamanho do estrago
 na minha célula, veias, batimentos, transpiração,
 no corpo e na alma. Me recolhi, me fechei com
ostra, me coloquei no colo. Precisei dessa pausa.
 Desse mergulho profundo. Falhei com os
meninos naquele momento, não percebi que o
estrago era profundo, também ali.
Leitura feita, recolhi as crias, recebi mais que dei, descobri nos meus meninos, homens fortes e parceiros. Duas formas distintas, ambas lícitas. Não pedi divisão, não houve divisão. Jamais profanaria esse templo construído com tanto amor.

Impacto passado, hora de recolher os cacos. Fiz
realmente da minha fragilidade fortaleza. Conheci
um sentimento novo chamado “indignação”. E
descobri na pele, que não se tem como
transmutar. E dói.
Silenciei na minha dor. Não dei aos leões, nem o palco, nem o circo. E a escolha desse caminho foi trunfo. Não fui discurso, consegui exercitar, vivenciar, as minhas teorias mais profundas. Me orgulhei nesse momento. Conduzir - com a dignidade da vida construída - na hora da desconstrução, me fortaleceu.

Procurei ajuda, procurei novos caminhos, deitei
no colo dos meus.
Hoje me pego diante do momento mais difícil de todo esse processo e, agora, aqui, enquanto escrevo, toda dor que passei parece menor: a raiva, a traição traiçoeira, a presença de um terceiro elemento na minha vida.

Hoje cedo, na aula de yoga, ele me veio forte.
Lembrei que hoje é seu aniversário. Desejei o
melhor, silenciosamente enquanto respirava, e fui
jogada no que sabia que um dia chegaria: o
lamento da perda, da saudade, da ausência. Dói?
PRA CARALHO. Mas sei que cheguei na última etapa desse processo pessoal de me reconstruir. Registrar. Sentir. Seguir.

Há alguns anos, em outro 11 de setembro, aquele
parou o mundo escrevi:
Enquanto o olhar do mundo se dirigia para aquelas duas torres em chama, eu só conseguia ver outra torre, não tão alta, 1.90m, mas como um fogo que me acende até hoje. Enquanto o mundo parava diante da tragédia, eu em festa.
Afinal que sabor tem o 11 de setembro? Tem gosto de amanhecer melado, de café na cama, de beijo na boca, de amor rasgado. Tem o sorriso largo que desaba, que deságua, que comemora a vida, que festeja mais um ano, sem pressa que o tempo passe.
Ah, onze de setembro, que você me perdoe a falta de lágrimas, a dor o u a indignação. Que você não espere uma cara de espanto ou o medo de outro ataque.
No meu calendário a ação terrorista programada para hoje é outra, bem mais doce, suave, mas com um calor que abasteça as nossas vidas.

Hoje o vazio da torre, o
monumento erguido
no lugar, onde a água
jorra, corre... limpa,
também está em mim.
E aqui, me lavo, me
exorcizo e não
nego o mergulho.
Sento diante de mim mesma e
digo, fica um pouco no colo, reabasteça, a
libertação REALMENTE começou.


1 de set. de 2012

Tempo...tempo...tempo

Trajetos, caminhos, jornadas...
O que nos leva a linha do tempo.
O que nos faz pensar em anos, décadas.
E que muda quase “cronologicamente” quando a linha que rege é da intimidade.
E lá estávamos, quase em sala de aula, mas com mais doçura, mais contentamento, por perceber no outro que a vida foi gentil, que a experiência adquirida, nos fez melhor.
E essa percepção vem do reconhecimento da essência do outro.
Por mais que mudanças ocorreram, continuamos os mesmos.
Santa intimidade.
Doce intimidade.
E é esse detalhe - que faz toda diferença - quando se reúne passado e presente e se fica com o melhor: o encontro de agora.

28 de ago. de 2012

E sigo...agradecendo.

Crescer, mudar, transformar, fazer acontecer...
Mas nada é mais poderoso que  TER o que agradecer.
Isso de uma forma visceral, que vem das estranhas, sem palavra, como pura sensação física.
Um deleite.
E assim agradeci: as pequenas conquistas, as perdas e a forma que olho para elas hoje.
O trabalho - cada linha, parágrafo e ponto final.
O poder se recolher, de encontrar no silêncio o som que minha alma busca e reconhece como sua melodia.
O afastamento de muitos, a chegada de tantos.
Esse chão que me abraça. Esse mantra que me envolve. Esse abraço que me acaricia.
Agradeci a presença deles, que são eternos, que amo incondicionalmente, que a vida me ofertou -  para gerar e criar, e hoje caminham sozinhos. Santa maternidade. Profana maternidade. EU. INTEIRA. Porta aberta, casa de todos.
...E nos filhos adquiridos pelo amor. Nos filhos gerados com amor. Tão doce gratidão.
Mas em toda condução etérea dessa sensação -  a sua imagem - a sua presença  - lá - no mesmo cenário.
Espiando de longe. Estendendo a mão com timidez. Presente solidamente.
LUIZ. Luz. Meu bem querer.
Obrigada por tornar possível.
Obrigada por dar o chão para a caminhada.
Obrigada por fazer parte da minha história com tanta elegância e propriedade.

E  nesse agradecer, estive comigo, senti-me acolhida com  uma doçura que desconhecia e que me embriaga.

Obrigada, ao universo por tantas possibilidades.

25 de ago. de 2012

Baila

Olho de longe essa multidão frenética. Gargalhada alta, corpos em movimento, me distancio na observação.
Retorno, mergulho, no suingue, no compasso, deixo de ser observadora e passo  ser observada. E a leitura?
Essa não me pertence e não há registro e muito menos peso.
Aliás o único “peso” aqui é a leveza.  E ela baila, gira no ar, cria uma bruma visível para poucos.
O texto é retilíneo, sem meias palavras, comunicação clara, direta, objetiva, mesmo sem pronunciar uma única palavra. E eu gosto disso.

24 de ago. de 2012

Celebrar as mudanças...

De repente a festa é iminente. Próxima, latente, tão perto. Tem cheiro, tem cor, tem gosto. Coração no compasso, música alta, da dança solta, da alegria estampada.
Em outra fração, a cor esmaece, tons pálidos. Rádio desligado. Repetição. Mesmice. Papo de tia, dqueles que você olha e pergunta: isso é comigo? O bom que é tão chato, que vaza mesmo! Comportamento de outrora, com cheiro de adolescência, mas que me acompanha sempre. Identidade?
E aí fica a sensação que é preciso arriscar mais. Deixar entrar.
A festa fluirá, aqui mesmo, tanto no meu silêncio como na agitação interna. Tambor forte, grito tribal...pronto, pleno para se lançar. Tá esperando o que?
A festa vai começar!

27 de jun. de 2012

Esse chão me abraça

E nesse colo abro a janela e vislumbro a impermanência: nela, tão querida, que saiu de cena, e deixou borboletas impressas no corpo e na alma de tantos; nele que pegou nova estrada; no pequeno que será eternamente menino.
Ah, a impermanência. Cessar. Mudar. Sentir antes de compreender.  
E sentindo revela-se inteira. Nua. Crua. Verdadeira.

E invade novos cantos, novas frestas, retira daqui e coloca ali e me leva um pouco junto.
E os rebentos ganham estrada, desvendam mundo, cumprem o que foi ensinado e imediatamente agradeço.

Nesse agradecimento -  lampejo do ontem: onde aceitei, confiei e entreguei.
É vida que segue. Nada é permanente, a não ser a própria impermanência.
E esse chão iluminado? Canta ao meu ouvido.
E nessa melodia me mostra outra forma de perceber também a força da ausência...TÃO PRESENTE.

E ela vem dourada, movimenta-se com graça e desperta a deusa, que não acha as suas vestes e se sente a maiiiis bela das criaturas.
Assim corpo, alma, coração se postam diante do espelho.
Saio. Troco de cenário.
Mas sempre acompanhada por esse reflexo, que por um momento tem cheiro, cor e nome: prazer.

18 de mai. de 2012

Corpo feliz, alma em paz

O toque que seduz é o mesmo que reverencia.

O profano-sacro. A mistura mundana no templo mais sagrado.

Tantas P-O-S-S-I-B-I-L-I-D-A-D-E-S...

E o mais fantástico: reconhecer que sempre estive aqui; que aqui é o meu lugar, minha morada mais sagrada.

Estou em casa.

22 de abr. de 2012

Qual é o pente que te penteia?

Eu descobri aos 52 anos que cabelo embaraça; que meus cachos fartos de menina me caem bem, quando me olho no espelho. Que escovas progressivas e de chocolate, ESSAS, não me caem tão bem, mas também não são de todo mal. Até pq me reconheço progressiva e o chocolate, adoro.

Eu percebi, num encontro com Charlie Brown, que hoje tenho mais perguntas que respostas, mas sem a ansiedade dos vinte anos. Que o novo direcionamento não me assusta mais, que as grandes afirmações de outrora estão de volta e soam como mantra: crescer, produzir, plantar. A colheita será mais tardia, mas os frutos - mais doces.
Eu sei que a estrada ficou mais longa, mas que a yoga me dá resistência física, necessária, para segui-la, e o discernimento, nas encruzilhadas.
Eu desejo, que a energia que sinto nesse momento, permaneça; que o brilho nos olhos no toque roubado, me escorra pelo corpo, com toda essa suavidade.

Eu confio, e confiando, relaxo.
E relaxando...aff!

1 de abr. de 2012

Fantasias

Sempre soube que é preciso abrir o guarda-roupa e escolher o traje certo para esse ou aquele ambiente.  Mais que espaço, a roupa certa para o momento certo: festa, missa, casamento, enterro...
Sempre soube, mas nunca fui muito rígida nesse quesito, como em muitos outros. E esse olhar da roupa certa - para momento adequado - pode ter sido ponto de partida. Pq não usar o que se quer em qualquer lugar?
Pensamento pequeno, de criança, pueril, mas como verdade absoluta. E com certeza uma primeira bandeira e também a primeira sonoridade: “essa menina tem cada uma...”
Então ia missa de short, sentava pra brincar na areia com o vestido de domingo e sapato de verniz. Terrrrrrrrrrrrezzza....Então, tá!Assim o meu guarda-roupa tinha poucas vestes e ao longo do tempo percebo que também usava poucas fantasias, apenas a estritamente necessária para não ficar muito aquém do habitual.
Figurino e cenário. Unidade, pra mim. Conflitante para o outro.
Assim fui uma menina no meio de 3 irmãos - que soltava pipa de manhã e brincava de boneca à tarde. E a boneca dormia, sorria, era filhinha e num dia qualquer, era enforcada num bang bang,numa batalha frenética de mocinhos e bandidos, com a corriola da rua.
Essa unidade estava embutida no simples prazer de transitar com a mesma alegria por tantos universos.
Cresci.
Filha, mulher, mãe, trabalhadora, um ser solto, por mais amarras que me rodeavam.
Lembro que quanto filha, dizia, se tiver filhos, assim não farei. Não acertei sempre, mas nos momentos mais duvidosos de mãe, que o natural seria repreender ou proibir, dizia, “não quero isso pra mim”, portanto não quero pra eles. E me pegava viajando no tempo, enrolando pai e mãe para fazer o que desejava. Não! Não é preciso.
Nos erros e acertos, permitir todas as escolhas, com ônus e bônus. Mas sinto que eles sempre tiveram mais o benefício das suas próprias decisões.  Mesmo que eu não achasse o caminho – CAMINHO, era o caminhar deles.
Mas não era o meu. Então na torcida ficava. Vibrava. Orava. Entregava.
Enquanto meninos, fácil. Homens: aprendizados, todos possíveis.
Recentemente me vi na maior tempestade de minha vida, e a última (anota aí). Me vi questionando onde acertei, onde errei, se me arrependendo do meu caminhar ou não?
O turbilhão me sufocou, mas não perdi totalmente o ar. E voltei ao primeiro guarda-roupa, o desejo de usar uma veste e poder viver em qualquer cenário como o mesmo olhar.
E voltei a cada palavra, discurso, que dei como ensinamento para os meus e usei em mim mesma.
Nossa, ir e vir, retorno de todos, cartas ao vento, construção da reconstrução.
Hoje, não me arrependo de ter dado sempre o direito de decisão e de escolha.
Mesmo quando não fui mais escolhida por quem ensinei a escolher e a tomar decisões. Era a escolha dele. Também legítima.
Algo em mim dizia, ele sabe, aprendeu, precisa dessa lacuna, desse distanciamento, está tudo lá dentro.
E está.
Não há mais o que dizer. É ter a sensação que acordamos juntos. Que ontem o tirei do berço e hoje assisto o seu bem viver.
 E saber - que por mais que seja preciso sofrer para crescer e, mais ainda, *para ensinar o outro a andar, o resultado - verdadeiro, real, transparente. Sem teatro, sem sopinha de letras.
Quando é ruim – É MUITO RUIM.
Mas quando é booooooom, é dizer, parabéns, moça, você acreditou, seguiu e escolheu sua veste para estar pronta para qualquer ocasião.
Se me arrependo de algo nessa jornada? Sim, me arrependo. Por mais que toda psicologia diga o contrário: não é bom se arrepender, blá blá blá. Pode ser... pra uns.
Me arrependendo sim, lamento algumas coisas, decisões erradas e carrego tudo isso na bagagem, já sem peso. É minha história. E quem não tem uma cicatriz, não é mesmo?

Agora que esse guarda-roupa lá traz foi um belo ponto de partido, isso foi.
Nunca tive receio de entrar num baile de havaianas, pq meu coração bailava sempre, pra mim e não para o outro.
Agradei a maioria? Aff! Com certeza, não. Nooossssa, não mesmo!!!!!
Mas agrado uma bela minoria e acima de tudo, a mim mesma.

8 de mar. de 2012

Recreio do Bandeirantes (Nosso quintal)

O recreio é dos bandeirantes e também de uma porção de gente bacana.
Nesse recreio há exploração, descobertas de novos lugares, picadas abertas, trilhas que dão inveja a qualquer serra ou montanha.
 
Cachoeira, mar, verde.
 

Muito verde.
Também um Rio de Janeiro. Mas aquele que foge do trânsito caótico, da poesia cosmopolita e nos lança em outras avenidas, numa cadência musical.  

Muitos vivem aqui, tantos outros fogem pra cá no fim de semana, que dão out...ro ritmo ao nosso recreio, de tantas cores e sabores.

Mas nesse recreio cabem todas as tribos e suas nuances.
 

Quem tá de fora, diz: - looonge!!!
 
Verdade. Por isso dos bandeirantes e para alguns - com o mesmo espírito de descoberta.  

Mas que fique claro, as entradas e bandeiras –AQUI - têm outra pegada.
O que já foi descoberto está de bom tamanho. A exploração agora é no detalhe.
Portanto, que o nosso recreio continue assim, livre, espaçoso, para correr, gritar, brincar de pique esconde...
E de repente esbarrar, numa esquina qualquer, com o que você vinha procurando há muito tempo.  
Santo Recreio.
 

Bom recreio para todos. 


 
Tereza Dalmacio

22 de fev. de 2012

Ausência

O sentimento de ausência fica tão mais forte.
Quanto mais ausente,  mais presente.
Cada espaço ocupado pelo vazio pleno.
 Assim, sigo na ausência, copo cheio da falta, embriagada
em tantas lembranças.
Aceito a escolha, confio no caminho, entrego-me.
E entregando-me - ajoelho, rezo e agradeço a permanência em mim.

Shanti.




18 de jan. de 2012

Os 4 elementos

É noite lá fora e o sol ainda está em mim.
Forte, dourado, espalhando sua luz por cada célula, cada pensamento, infiltrando-se nas frestas que me compõe.
Inspiro e expiro essa luminosidade que me permeia.
Absorvo. Transformo. Transmuto.
Sou luz, mas sou raiz.
E na mãe terra me esparramo, escorro, derreto, me espalho.
Terra, ar, fogo e transbordo...
Inundo-me, deságuo, num choro doce, feliz, que mostra-me, que estou de volta, em casa, no meu templo.
Ju, obrigada!

8 de jan. de 2012

Liquidificando

O olhar busca o objeto, joga pra dentro e processa.  O resultado cores fortes, vibrantes, que pulsam.
A imagem tem corpo, forma, cheiro, desejo impregnado do belo.
Sou eu, é o outro, é também você.
Gente sintonizada com esse olhar de agora.
Gente que encontra no simples, prazer , alegria, leveza.
Gente - apimentada ou não, mas que tem um rebuliço interno, que faz festa na feira como   mesma alegria de rodar o mundo.
Gente que você quer do lado, que se aventura, que brinca como criança, que dança na chuva,
que se reconhece no transeunte, naquele olhar que faísca.
Afinal é ano novo, novinho em folha pra gente se lambuzar, firmar compromisso de vida, para esse e tantos outros:  rir de si mesmo e não esquecer nunca, de gozar no final.

30 de dez. de 2011

Eu aceito, eu confio, eu entrego e agradeço

Que bom que pode ser assim.
Mesmo voltando: 30 de dezembro de 2010...o caminho foi percorrido.
Com dor? Sim, mas não preciso mais de curativos.
Fiquei com as marcas.
As tais cicatrizes estão em neon, lembrando-me permanentemente que não me permitirei paralisar na perda, na frustração, na injustiça.
Hoje, penúltimo dia do ano, voltei a cada semana de 2011.
Revi, reli, me indignei  novamente, percebi  o que está impresso , no corpo, na alma, na minha história.
E talvez essa seja a palavra para a despedida desse ano de tantos gemidos, mas de tanto crescimento também – HISTÓRIA.
E assim vou reescrevendo-a com um bando de gente bacana que esteve ao meu lado. Com uma meia dúzia que faz toda a diferença. Esses, tão especiais, serão companheiros de jornada sempre.
E quando disse que faria de toda minha FRAGILIDADE FORTALEZA, não menti. E agora essa soma é que me faz rir no riso do outro, amar, sentir, agradecer.
Assim reconheço nesse momento, que não perdi o melhor de mim: a alegria, os braços abertos, o desejo supremo de gozar no final.
Há muito que caminhar, no tempinho mais frio as cicatrizes irão sinalizar, doer um pouco, mas nada, que um sol forte não abrande e me lembre que sempre vale a pena.
Assim me reconheço inteira: a menina moleca, a mulher forte, a unidade.
Assim me abraço e me libero. E seja o que Deus quiser...QUE VENHA 2012.

11 de dez. de 2011

Da mamadeira até o carro, instantes de vida.
Mas o carro não chega, não estaciona.
Mala, na mala. Chega!
Se lança, confia, entrega, mergulha.
Voltei. Voltamos.
Tempo de construção.
Vamos nos impregnar do novo.
Queimar madeira velha.
Levantar paredes, abrir novas
janelas, entrar por outras portas.
Com  certeza que o ir e vir - nossa
casa. Aquela interna que nos colocou,
o colocou na estrada desde as fraldas.
A mudança aconteceu.
A recontrução foi necessária.
Agora tinta fresca, sol na fresta,
cheiro de novo.

10 de dez. de 2011

Filho, tu é o cara!


Que bom te tirar do berço e levá-lo até o seu carro, e perceber que neste meio de caminho  brincamos, dançamos, nos acarinhamos, demos colo.  Rimos no riso do outro. Nos besuntamos de croc croc, soltamos pipa, jogamos bola de gude, nadamos, ensaiamos jacaré, pedalamos.
Torci muito em cada pelada: vai que é sua tabaréu!!!!!!!!!!!!! Era o grito de guerra.
Quebramos milhares de caranguejo, que os manguezais nordestinos nos perdoem.
Da janela assisti o primeiro beijo, a primeira paixão,  a primeira viagem sozinho, o primeiro lero lero, o primeiro porre. E dançamos, dançamos mais, bebemos juntos, nos misturamos, e nos abraçamos...
...Nos momentos mais felizes. Nos momentos mais doídos.
Segurei a sua mão. Você segurou a minha. E na maior tempestade nos tornamos verdadeiramente cúmplices, amigos, sólidos, e estamos inteiros, mesmo com alguns hematomas. Mas o tempo. Sábio. Dócil. Nos conduz e ampara.
E você voa, se lança, como sempre soube que o faria. E você me emociona nessa alegria, nessa energia boa, nesse astral, nessa fome de vida, de prazer, de conquista. E te sinto, e me reconheço nessa gana que faz a alma da gente pulsar e o corpo ferver.
E pensar  que do berço ao carro se passaram 24 anos. Entre chupetas e chopes, temos tanto a festejar e vibrar. Lipe, vai que é sua!!!! Agarra, dribla, defende e marca o gol. Por que filhão, tu é o cara.


Escrito 1.6.2011 | Dia da saída
Bom ler de novo, com você por perto
É redondo. Gira. Roda mundo.
E vai. Mas volta?
É dezembro. Outro dezembro.
E vou e volto.
Coisas de dezembro.
Hora da virada.
Será? Será!

28 de nov. de 2011

Esse nosso jeito, agradeço!

Não é perfeito, mas é tão verdadeiro.
E agradeço poder ser assim, o chegar, o sair,
no tempo da vida e do coração.
Não para agradar ou “cuidar”, mas pelo simples fato de querer estar.
E nesse momento, saber o que é pra mim, é realmente
meu, é olhar para traz e não me sentir discurso.
É sentir que o caminho que escolhi, de olhar o indivíduo, e não como meus, ajudou a construir um encontro real.
Como tudo, às vezes fica a lacuna.
Como tudo, às vezes quero mais.
Mas é com eles, que revi a lição aplicada e tão bem assimilada.
Mas o abraço é abraço.
O chegar é estar.
É inteiro.
É a nossa forma de cuidarmos um do outro.
Soltos, mas com raiz fincada.

26 de nov. de 2011

NÃO, palavra de ordem

 Chegamos ao final do ano. A cidade ganha novas cores. O Rio de Janeiro, então, ganha vida nova. O ano 2011 foi decisivo para o carioca. A polícia subiu os morros, agora com inteligência, sem disparar um tiro.

Nos parece, olhando de fora, que o lixo não é mais varrido para baixo do tapete, mas é aspirado e retirado do local, verdadeiramente.
Vila Cruzeiro, Complexo do Alemão, Providência, São Carlos, Mangueira, Santa Marta, Fallet, Vidigal e, por último, a Rocinha. Errou-se muito para se chegar até a ocupação da Rocinha, uma verdadeira cidade, com mais de 70 mil habitantes, onde residem famílias, trabalhadores, gente do bem. Mas foi bonito de ver. Nenhum inocente se feriu ou morreu.

Parabéns às autoridades, mas principalmente a esse povo guerreiro, batalhador, que enfrenta, não foge da luta e faz bonito.
E se o tempo é de comemorar, aproveitemos então a chegada de 2012 para iluminar de dentro para fora. Acenda a sua luz, distribua brilho no olhar, abraço forte, carinho e acima de tudo o maior presente de todos, PAZ.

Que a PAZ comece reinar dentro de você. E se cada um fizer isso, transformaremos o coletivo. Não é apenas um desejo de PAZ, mas uma AÇÃO.
A ação do Não. Da não violência. Não roubar. Não matar. Não.
E, se nesse contexto, o NÃO for palavra de ordem?
SIM, o Rio de Janeiro continua lindo. E aquele abraço.
(foto Juliana Castro | texto editorial Revista nov|dez)

12 de nov. de 2011

Vaza...

O avesso é tão complicado.
A contramão, o anti, o dividir.
Esse fatiar mobiliza, torna pequeno.
Mas não da pra ser grande sempre.
A miudeza é que me faz distinguir, a
perceber a diferença.
Nesse minuto o politicamente correto me
soa falso.
E aquela pequena peixeira ganha
um simbolismo ímpar.
Vaza, esse lugar é meu. É a casa do familião.

25 de out. de 2011

A subtração que soma

O que sonhei pra mim,
desejo para você.
O que eu não construí,
você pode edificar.
Perdi o foco, mantenha em cena.
Se pra ficar, for preciso sair: retiro-me.
Se para somar, for preciso subtrair:
multiplico-me e diminuo o passo.
Nada é mais poderoso que o amor incondicional.
Ele cuida. Ele protege. É equação perfeita numa matemática onde 4 + 4 é ímpar e não par.

22 de out. de 2011

Projeto Lego

Enquanto leio o Projeto Lego, faço e desfaço, viajo nas minhas próprias peças coloridas.
Sinto que a cor voltou, que há mais encaixe, novas possibilidades, mas acima de tudo há reconstrução.
O construir , desmontar, fazer de novo.
Vai e volta.
Faz, desfaz.
No primeiro momento: AFF, que preguiça.
Mas sinto diferente.
Há o que não tem mais reconstrução.
E assim troco as peças: a do lamento pela do alívio.
E chega mais gente para brincar.
No playground há tantas possibilidades...
Falta muito pouco para arrumar essa placa verde com uma cidade toda nova.
A casinha tá linda. Florida. Cheirosa.
Repleta de generosidade.
Canto sacro, canto mundano. Meu canto.
Ir e vir, estando sempre dentro.
Voltemos: o projeto lego, me chama.

11 de out. de 2011

Um ano sem você

Daqui a pouco, 29 de outubro, marcaremos 365 dias sem o seu sorriso, as suas brincadeiras, os seus abraços, a sua presença marcante -  para um Familião enamorado.
Nesse tempo, a vida seguiu:  um pouco mais cinza, um pouco mais lenta, sempre com a PRESENÇA da sua ausência.
Ah, o Hospital de Rio Bonito?!? Já tem UTI. Fica o registro.
João, fez 1 aninho.
O Lucas, um belo rapaz no alto dos seus 15 anos.
A família está bem.
Dante, um homenzinho.
Gustavo, um rapagão.
Bruno,  paizão.
Jorge, avô babão.
Rafael, o nosso eterno menino.
Sua filha, espelho seu.
Karen, a irmã - que com a Marcela - dá conta desses homens todos.
E a Ec, sempre lá: firme, forte, dedicada, com colo imenso que acolhe a todos.
A turma está unida, amarrada, embolada.
Gente guerreira e aprendiz da sua forma de amar e encarar a vida.
Nós todos, também seus, caminhamos.
Casamento, divórcio, nascimento, novos amores, grandes viagens, pequenas viagens,  tudo aconteceu no último ano.
A mulherada tatuou a sua borboletinha.
Doce homenagem.
É fato que nada mais tem o mesmo sabor, mas esse seu povo louco continua a fazer barulho, a rir muito, a se abraçar, a comemorar cada encontro e a festejar a vida com plenitude.
Você, dentro da gente e nas histórias que construímos juntos.Quantos “causos” para relembrar, morrer de rir até cair no choro.
Somos EMOÇÃO pura.
Somos nós, esse FAMILIÃO apaixonado, que ama... ama... ama... e morre de saudades.
E hoje, ela está imensa.
TT

9 de out. de 2011

VIRABHADRASANA

O guerreiro está focado.
Sabe que é eminente o confronto.
Assim trabalha com a força, o equilíbrio sem perder a amorosidade.
Nesta batalha é o amor o fio condutor.
Aqui não haverá vencedores ou perdedores, mas reencontro.
Assim fecho os olhos e me vejo na arena.
E o que sinto é sossego, tranquilidade, por conhecer cada pegada dessa caminhada.
ENTREGO E AGRADEÇO.
Mas nem sempre foi assim.
Esse guerreiro já balançou, desequilibrou-se, teve medo, muito medo. E cada vez que o olhava,dentro de mim, sentia toda a sua fragilidade.
E foi aí que vi que essa fragilidade poderia ser a minha fortaleza, e o assim o fiz.
Com a ajuda - de quem sabia - que na hora da batalha estaria pronta, segui. Ajuste aqui, ali, calma ao respirar.
E de repente me vi com arco e flecha nas mãos. Tiro certeiro. O momento tinha chegado.
Batalha dura, também sem vencedores, por mais que quem assistia, pensava: eu ganhei.
Ledo engano, ainda a ser descoberto. Mas não me cabe, e não há vibração para tal.
O que posso dizer: a postura do guerreiro, não o ato físico, mas o encontro com a sua própria fortaleza, é caminho árduo, difícil como a pronuncia – VIRABHADRASANA, mas tão possível.
E esse guerreiro aqui, se olha no espelho, e segue, sereno, para mais uma conquista.




6 de out. de 2011

Os próximos 50...

Otimista de mais?
Pode ser. Mas quando você recomeça aos 51, tem que pensar numa grande ideia. Há uma necessidade eminente de dobrar o tempo, de poder construir dentro da total desconstrução.
No primeiro momento é tudo muito louco. É insano. Arrebatador.
Mas nesses últimos 270 dias, quando a virada de ano congelou em mim, quantas saideiras precisei viver para virar a folhinha, mudar o dia, a hora, o tempo, sair daquele 31 de dezembro de 2010?

O calendário ganhou nova dinâmica e fui criando dias maiores, às vezes menores, mas sempre vivendo, buscando, montando meus bloquinhos com novas cores, novas formas, novos personagens.

Não está pronto, mas já há estrada, determinação, reconstrução. E essa reconstrução é mais sólida quando a olho e coloco tudo no chão outra vez e digo pra mim mesma: PODE SER MELHOR.

E é tudo muito novo. É uma nova ORDEM. Não do universo. Minha, do meu próprio universo. E do mundo deles também. Todos, em total ajuste e aprendizado. E como esse trabalho precisa ser individual, para juntos, voltarmos célula.

E assim sigo, com uma grande caixa de lego na mochila, fazendo, refazendo, empilhando ou em alguns momentos dizendo: aff, não quero mais brincar.

E no segundo seguinte sento ao tabuleiro, ergo prédios ou choupanas, coloco gente nova, convido meu povo, ou me recolho na minha catedral.

O recolhimento e o se expor não se contrapõem, se complementam.

Assim pelos cálculos, estou de vestido branco, comemorando 1 ano, do resto da minha vida.

E tem muita gente bacana cortando esse bolo comigo.

3 de out. de 2011

Árvore da vida


Queria lhe dar um presente fantástico...
Pensei...pensei...pensei...
Calculei a distância, o custo, a forma de chegar.
E nada. Pensei mais e no primeiro momento, encontrei:
frondosa, iluminada, eterna e com tantos significados.
E senti, é isso. A árvore da vida - para quem faz da vida -
instrumento para cuidar de tantas outras.

Embrulhei, coloquei laço de fita e fiquei matutando:
Será?

Seria essa árvore, apesar de tão bela???
Tão alta essa árvore, tão imponente, né???

humhummmmm...Mas...

Se é árvore da vida, deve trazer na folhagem algo
mais aniversário. Algo mais algodão doce.
Algo mais festa:como bolo, bola, brigadeiro, sei lá.
Então vai mesmo a árvore da vida,
mas em outra forma, de catavento.
Assim os tons irão colorir os seus dias.

Quando ventar, ele ficará mais lindo
e na hora de qualquer tempestade você vai poder
se fixar na alegria do movimento e não no
barulho do trovão.

Feliz aniversário, Leiloca, que a vida continue
a te levar com leveza, que o catavento
seja sempre reflexo da sua energia, força
e alegria.
Você merece tudo que sonhar e desejar.
COMEMORE - FESTEJE - AGRADEÇA.
03.10.2011