18 de fev. de 2013

Om Mani Padme Hum

O tema da aula de hoje, gentileza.

Mas ela veio antes, na forma mais doce e plena.

No abraço saudoso. 

No mantra, que agora carrego *também* na mão.

No acolhimento que me faz reconhecer no outro, um reencontro.

Tão mais antigo - tão mais distante. 

Real, vai se saber.

Mas forte, com certeza.

E a aula gentilmente começou.

E a casa me recebeu. 

O chão me abraçou.

E me senti PLENAMENTE agradecida.

12 de fev. de 2013

Tô pra brincadeira


 O carnaval tem dessas coisas, te coloca no seu lugar.
Cada um é o que é, de verdade. Quem não entra na roda, olha de longe.
Quem põe a saia pra girar, sinaliza.
Tudo é claro, tudo é às claras.
O Batman colocou na avenida o que todo mundo já sabia.
Fantasias viram traje a rigor.
Aquela, que você deixa guardadinha  o ano todo, mas quando chega a hora: é emoção, o mais puro tesão.
Cores, caras, bocas. Muita roupa, pouca roupa, não importa.
A gente se desnuda e percebe que o que se é: É.
Abre alas, que eu quero passar.
Entrei na roda e tô na brincadeira.




9 de fev. de 2013

Borboletas no estÔmago



Quanto aprendizado. Quanta novidade. Quanta descoberta.

Fui uma adolescente vibrante, multicolorida, por dentro e por fora.

Vivi sempre com muita intensidade, me lancei no prazer, me joguei em paradas malucas, e nunca me arrependi de nada, até pq *tinha e tenho * uma anjo da guarda totalmente focado.

Obrigada, parceiro.

Alguns lençóis, muitos encontros: rápidos, fugaz, extremamente gostosos.

Quando me deparei com aquelas borboletas no estomago, percebi que ali tinha um tempero diferente, e embarquei.

Naveguei por quase três décadas.

Desembarquei, muito a contragosto, mas hoje estou em terra firme.

E sento agora,quase em oração.
Escrevo, em comunhão comigo mesma.

E essa necessidade suprema de expressar veio enquanto molhava plantas, arrumava o pequeno jardim, olhava para esse pequeno mundo – construído com tanto esmero.

Observava o beija flor e mais um bando de pássaros, que descobriram o gosto do fast food, comida rápida aqui - na minha varanda.
Alpiste do bom, colocado diariamente para essa turma colorida e barulhenta, no meu santo chão.

E nesse relance, pensamento doce, me veio cada cômodo, cada objeto e as doces e belas borboletas que nesse momento voam no meu estÔmago.

Que coisa mais gostosinhaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa.

Percebo que o macro não me cabe mais, que o micro, o pequeno, o aconchego, me abraça com tanta propriedade...hummm.

Essa sensação de terra firme, de porto seguro, que começa a plantar na sola dos meus pés, tem  me acariciado com muita ternura...

...Que por um breve segundo tive até medo de sentir. Medo de não ser.

Saca aquele velho clichê...medo de água fria? Então!

Sei lá, vai se saber. Depois de tanta tempestade a gente fica mais alerta.
 
Mas relaxei.
Voltei no tempo e lá estava ela: aquela menina maluquinha, doidinha de tudo...sem medo de nada.
E me peguei adolescente aos 53 anos e com o ganho da maturidade.

Olhei para o meu castelo, possível graças aos meus anjos da guarda (que estão encarnados, diga-se de passagem). Deleitei-me em tanta cores: dentro e fora.

Poeira, ainda alguns cacarecos, mas aqueles que a gente entulha no quartinho da bagunça e nem lembra que existe.

Um dia você faz a faxina...ou não. Procurando um não sei o que...que pode vir a servir ao outro.

Assim acho minhas melhores fantasias e saio agora, para ver  o bloquinho passar.
 
Saio cantarolando uma velha canção, nenhuma marchinha (ainda): 

Mas era feita com muito esmero, na rua dos bobos, número zero.”

E ME VEM OUTRA:
'Sacundim, sacundá. Nem vem q. não tem!

Hoje – é carnaval. Muito mais aqui dentro.
 
 Ah, anjo da guarda, vem comigo e não perde o foco.

hahahahaha


26 de jan. de 2013

Outro caminho




 
Busco novos caminhos.
As antigas estradas não me servem mais.
E observo.
Há tanto as perdas me rondam.
Há tanto as perdas me roubam.
E quando se relaxa, ela está lá de espreita.
E me confunde nessa veste colorida.
Nesse sorriso farto, nessa entrega duvidosa.
E zomba de mim com total candura.
E a indignação me arrebata, quase no mesmo lugar.
Não há como confiar.
É hora de seguir viagem, mesmo com as malas por fazer.
 

24 de jan. de 2013

Ei, 2013 chegou

Chegou sem cerimônia, dono do tempo e espaço e remexendo em velhas feridas.
Fiz diferente, fiquei, recebi de peito aberto com a esperança do abraço curador, que veio no olhar do filho.
Fui, voltei, percebi que a magia sumida está lá, mesmo que não se mantenha.
Percebi que é mais fácil para o  outro cobrar, do que observar o seu próprio quintal.
Mesmices de sempre, fatos corriqueiros repetitivos, não há mais lugar.
Ligação que não veio, encontro que não aconteceu. Lacuna que se abre. Precipício.
De repente, outra página, muita água, o carro roda, e nesse giro o olhar do estranho.
...que olhar acolhedor, que mão protetora, que vazio.
Gelado, frio, com a própria chuva que caía, aquelas de março que fecham o verão e dessa vez veio antes da hora.
 
E a tempestade derruba paredes, lava não apenas o chão, mas retira o que antes seria impossível deixar de existir.
 
Tudo é possível. O nunca - não existe - e o para sempre NUNCA será. Vai entender.


23 de jan. de 2013

Tão ácido, tão doce...

Há muito tempo vem tudo junto, embolado, misturado. E pensar que o que é bom, ficou ainda melhor.
Hoje me lembrei de você passando as férias em Ilhéus, lá pelos seus oito anos,  e dizendo que queria morar comigo.
Eu, respondi: quem sabe um dia, quando você estiver grande.
E como você está grande, menina. Cresceu e desabrochou, revelou o que eu já sabia: essa figurinha ímpar, energética, pilhada, mas doce como ninguém (num poucos minutos). E é essa mistura que revela suas cores mais preciosas e vibrantes.
Mais que a Dinda que você escolheu, posso dizer hoje, que você é a filha que escolhi.
E essa escolha foi tão sem querer. Veio a partir do encontro de famílias, de amigos queridos, família construída ao longo dos anos...
Você quebrou até o meu discurso.
Sempre me coloquei com mãe de meninos, que menina é um porre (tem um tanto de verdade, vai lá!), mas você tem sido filha: na alegria e na tristeza, pq até quebrar o pau - já fazemos com toda a intimidade - que apenas mães e filhas se permitem.
Feliz aniversário, meu amor. Nesse momento está viajando, num lugar delicioso para festejar:  Amsterdam.
A cidade para os amantes da noite, do novo, da farra. Tudo que nós duas adoramos. Se diverte, vibre, comemore e chegando ao Rio, tem mais.

18 de dez. de 2012


Tão l...o...n...g...e ,
tão pertotão possível
a tal      impossibilidade.

11 de dez. de 2012

Mortiça


São tantas mensagens lindinhas. Muitas, açucaradas em demasias. Outras, glicose pura. Me sinto diabética com restrição total. Mas Pollyanna espalha seu olhar pueril pelos quatro cantos do planeta.
Talvez minha acidez... ou minha história... ou ainda será esse olhar  fotográfico, a busca permanente pelo fato...sei lá, vai se saber.

Mas não consigo, nem um sorriso de canto de boca. A Sensação Pollyanesca, desconheço. Mas imagino que deve ser algo parecido como caminhar em brasas, sorrindo, feliz,  com um balão colorido na mão. Impossível.
Tirar o melhor, do pior. Belo. Mas falsoooo.
Mas tem gente que consegue. Sublime. Grandioso. Iluminado viver assim. Admiro.
Mas não me cabe.
Essa vida morninha, comportadinha, certinha, tudo dentro da caixinha me descabelaaaaaaa.
Gosto do apimentado. Gosto dos extremos.
Quando é bom, não há Pollyanna no mundo que conheça a força dessa sensação.
É de se lambuzar.
Exageradamente gostoso...
Escandalosamente feliz.
Quando é uma merda.
É atoleiro.
Mas sinto assim, prefiro assim.
Ou é quente ou é frio, o morno não me basta.
Por mais que uma ganja aqueça, corpo e alma em algum instante.

Agora...Pollyanninha...não dá.
Sou apaixonada pela família Addams. Amo rabugento.
O direito de mudar é sagrado. Estar em movimento me acalma.

Amanhã? Sei lá, um dia de cada vez, talvez.

11 de nov. de 2012

Quadro a quadro...


E lá estamos nós, não costurando, mas imprimindo novo álbum: nas paredes, na pele, na memória.
Memória essa, aquela que já trazemos na pele, na alma e que não perdeu o tom, não desbotou, cintilante está.

A moldura não podia ser mais a gente. ALEGRIA. Uma vontade ímpar de rir alto, abraçar forte, olhar no olho.
Em cada pedaço de fita cortado, na posição escolhida, na mão de muitos, para cuidar do canto de um. O desejo supremo de escrever na parede: estamos aqui, presentes, inteiras, contando uma com a outra.
História.
Histórias de vida.
Cada uma com a sua narrativa, com suas dores, alguns lamentos, mas com a determinação suprema: ser feliz.

E assim o fizemos. E assim buscamos dia a dia. Não perdemos o melhor de nós.
E quando o telefone toca...

São eles querendo saber da gente. Dos excessos. Da farra rasgada. Num sábado etílico musical. Na vitrola uma trilha sonora. No chão:  passos, dancinhas, o nosso ritmo.
E como é bom sentir que não perdemos o compasso, mesmo atravessando o samba num momento ou outro.

E desligamos o telefone com a certe absoluta: mulheres maduras, com um –q- de criança, como diversos -q’s de adolescente.
E isso nos define.

8 de nov. de 2012

Resiliência...


“Não te deixes destruir...
Ajuntando novas pedras
e construindo novos poemas.
Recria tua vida, sempre, sempre.
Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça.”






Cora Coralina com certeza não deve ter lido o significado da palavra resiliência, mas a expressou de forma sublime.
E engraçado que todo esse contexto permeia minha vida hoje. A necessidade não apenas de enfrentar grandes mudanças, mas transmutar.
Mudar, mudar, mudar, sem endurecer o coração, sem trazer a melancolia para a minha caminhada.
Que tarefa difícil.

 
Andei por muito tempo perguntando pq?
Mas fazia a pergunta errada. E logo eu, que vivo de boas perguntas, de perguntas certeiras.
Virei-me, revirei-me no avesso, ao ponto de não saber qual é o lado certo; mas o avesso vem me caindo bem. E quando acho que encontrei o “modelito” é preciso coser de novo, revirar o tecido, bordar e pespontar nova roupagem.
Confesso, que encontro muito cansaço, que me perco no meio de tantas linhas e agulhas, que não me adéquo bem à veste.
Mas isso agora também sou eu.
Então me desnudo.
Me coloco sob o meu próprio olhar, espelho transparente, e me observo.
Percebo-me hora resiliente, hora não. Resignada, NUNCA.
Sou nesse exato minuto INDIGNADA. Não com a vida, mas por receber da minha maior certeza a INCERTEZA.
Me tornei triste? Não. Com certeza não.
Assim sinto, quando estou com pessoas que amo, que me faz sair desse triturador, que não será permanente.
Atualmente esse é o período mais difícil do ano, talvez por ter sido sempre o período mais doce.


Um brinde a vcs meninas
Um brinde aos meus meninos
Um brinde a vida

3 de nov. de 2012

Também tão eu

A ausência tão presente de mim mesma abriu uma janela.
E nela  me vi, me senti, esvaziei.
Caminhei de mãos dadas, com tão doce cia que há muito não aparecia.
Ai, saudade minha, que bom que me encontrei, mesmo por uma manhã
florida, nesse dia, tão “nós”.

25 de out. de 2012

Castelo de Cartas


Mudança é uma coisa louca. E quando você pensa que já colocou tudo no lugar, o vento leva.

E você fica olhando, meio assim, sem entender.  Mais para surpresa do que para o espanto. 

Eu sento, começa do zero de novo. Subo paredes, pinto o telhado, costuro colchas.
         
 http://asongofpurehappiness.blogspot.com.br
E respiro. Deito na rede e sinto  o aconchego.
No cochilar acordo no vácuo. Percebo  até leve sorriso.
E aí...espreguiçooooo  e subo paredes, pinto o telhado, costuro colchas.

Puxo a cadeira, olho em volta, aqueço o coração.
E a chuva leva.

Exercício? Louvor à paciência?  Ela vem, ela falta. Tudo tão avesso do avesso.
Às vezes busco a Fé – Força – Foco e ligo o FODA-SE...
E nesse avesso me relevo e percebo que o telhado que foi, traz o céu estrelado, mas quando vem à tempestade...
Subo o telhado, pinto o telhado, costuro colchas.

13 de out. de 2012

Santa paciência!?!

A paciência é virtude; também aula que perdi ao longo dos anos, mas que nunca senti muita falta. A vida fluía sem muito tropeço. A falta dela não fazia nem vento, no máximo um sopro forte.

Mas a ventania me pegou, me arremessou e levou o castelo embora. E de repente precisei lançar mão de uma  série de “armas” para a reconstrução... e a casa tá boniiiita. Tem minhas cores, me jeito, minha forma.
- A reconstrução?
- Continua. Estado permanente de mudança. E isso é bom, me deixa “mais pronta” para o minuto seguinte.

E essa tal paciência, que nunca dei muita bola, tem batido a minha porta, deitado no meu travesseiro, me ensinado a sua importância. E quando a ventania vem de dentro, ela grita:

- Estou aqui. Abraçe-me fortemente e espera o vento acalmar.
Mas há quem brinque com Ela. Zombe dela. Ignore todos os seus preceitos. Atropela. Passa por cima, com a certeza absoluta que ela  é apenas PACIENTE.

Ledo engano. A paciência está arrumando as malas para breve férias.
(Imagem Budismo Brasil)

11 de set. de 2012

Exorcismo


Há cerca de dois anos entrei no maior turbilhão
 de minha vida: cinza, feio, frio. No primeiro
momento percebia apenas o tamanho do estrago
 na minha célula, veias, batimentos, transpiração,
 no corpo e na alma. Me recolhi, me fechei com
ostra, me coloquei no colo. Precisei dessa pausa.
 Desse mergulho profundo. Falhei com os
meninos naquele momento, não percebi que o
estrago era profundo, também ali.
Leitura feita, recolhi as crias, recebi mais que dei, descobri nos meus meninos, homens fortes e parceiros. Duas formas distintas, ambas lícitas. Não pedi divisão, não houve divisão. Jamais profanaria esse templo construído com tanto amor.

Impacto passado, hora de recolher os cacos. Fiz
realmente da minha fragilidade fortaleza. Conheci
um sentimento novo chamado “indignação”. E
descobri na pele, que não se tem como
transmutar. E dói.
Silenciei na minha dor. Não dei aos leões, nem o palco, nem o circo. E a escolha desse caminho foi trunfo. Não fui discurso, consegui exercitar, vivenciar, as minhas teorias mais profundas. Me orgulhei nesse momento. Conduzir - com a dignidade da vida construída - na hora da desconstrução, me fortaleceu.

Procurei ajuda, procurei novos caminhos, deitei
no colo dos meus.
Hoje me pego diante do momento mais difícil de todo esse processo e, agora, aqui, enquanto escrevo, toda dor que passei parece menor: a raiva, a traição traiçoeira, a presença de um terceiro elemento na minha vida.

Hoje cedo, na aula de yoga, ele me veio forte.
Lembrei que hoje é seu aniversário. Desejei o
melhor, silenciosamente enquanto respirava, e fui
jogada no que sabia que um dia chegaria: o
lamento da perda, da saudade, da ausência. Dói?
PRA CARALHO. Mas sei que cheguei na última etapa desse processo pessoal de me reconstruir. Registrar. Sentir. Seguir.

Há alguns anos, em outro 11 de setembro, aquele
parou o mundo escrevi:
Enquanto o olhar do mundo se dirigia para aquelas duas torres em chama, eu só conseguia ver outra torre, não tão alta, 1.90m, mas como um fogo que me acende até hoje. Enquanto o mundo parava diante da tragédia, eu em festa.
Afinal que sabor tem o 11 de setembro? Tem gosto de amanhecer melado, de café na cama, de beijo na boca, de amor rasgado. Tem o sorriso largo que desaba, que deságua, que comemora a vida, que festeja mais um ano, sem pressa que o tempo passe.
Ah, onze de setembro, que você me perdoe a falta de lágrimas, a dor o u a indignação. Que você não espere uma cara de espanto ou o medo de outro ataque.
No meu calendário a ação terrorista programada para hoje é outra, bem mais doce, suave, mas com um calor que abasteça as nossas vidas.

Hoje o vazio da torre, o
monumento erguido
no lugar, onde a água
jorra, corre... limpa,
também está em mim.
E aqui, me lavo, me
exorcizo e não
nego o mergulho.
Sento diante de mim mesma e
digo, fica um pouco no colo, reabasteça, a
libertação REALMENTE começou.


1 de set. de 2012

Tempo...tempo...tempo

Trajetos, caminhos, jornadas...
O que nos leva a linha do tempo.
O que nos faz pensar em anos, décadas.
E que muda quase “cronologicamente” quando a linha que rege é da intimidade.
E lá estávamos, quase em sala de aula, mas com mais doçura, mais contentamento, por perceber no outro que a vida foi gentil, que a experiência adquirida, nos fez melhor.
E essa percepção vem do reconhecimento da essência do outro.
Por mais que mudanças ocorreram, continuamos os mesmos.
Santa intimidade.
Doce intimidade.
E é esse detalhe - que faz toda diferença - quando se reúne passado e presente e se fica com o melhor: o encontro de agora.

28 de ago. de 2012

E sigo...agradecendo.

Crescer, mudar, transformar, fazer acontecer...
Mas nada é mais poderoso que  TER o que agradecer.
Isso de uma forma visceral, que vem das estranhas, sem palavra, como pura sensação física.
Um deleite.
E assim agradeci: as pequenas conquistas, as perdas e a forma que olho para elas hoje.
O trabalho - cada linha, parágrafo e ponto final.
O poder se recolher, de encontrar no silêncio o som que minha alma busca e reconhece como sua melodia.
O afastamento de muitos, a chegada de tantos.
Esse chão que me abraça. Esse mantra que me envolve. Esse abraço que me acaricia.
Agradeci a presença deles, que são eternos, que amo incondicionalmente, que a vida me ofertou -  para gerar e criar, e hoje caminham sozinhos. Santa maternidade. Profana maternidade. EU. INTEIRA. Porta aberta, casa de todos.
...E nos filhos adquiridos pelo amor. Nos filhos gerados com amor. Tão doce gratidão.
Mas em toda condução etérea dessa sensação -  a sua imagem - a sua presença  - lá - no mesmo cenário.
Espiando de longe. Estendendo a mão com timidez. Presente solidamente.
LUIZ. Luz. Meu bem querer.
Obrigada por tornar possível.
Obrigada por dar o chão para a caminhada.
Obrigada por fazer parte da minha história com tanta elegância e propriedade.

E  nesse agradecer, estive comigo, senti-me acolhida com  uma doçura que desconhecia e que me embriaga.

Obrigada, ao universo por tantas possibilidades.

25 de ago. de 2012

Baila

Olho de longe essa multidão frenética. Gargalhada alta, corpos em movimento, me distancio na observação.
Retorno, mergulho, no suingue, no compasso, deixo de ser observadora e passo  ser observada. E a leitura?
Essa não me pertence e não há registro e muito menos peso.
Aliás o único “peso” aqui é a leveza.  E ela baila, gira no ar, cria uma bruma visível para poucos.
O texto é retilíneo, sem meias palavras, comunicação clara, direta, objetiva, mesmo sem pronunciar uma única palavra. E eu gosto disso.

24 de ago. de 2012

Celebrar as mudanças...

De repente a festa é iminente. Próxima, latente, tão perto. Tem cheiro, tem cor, tem gosto. Coração no compasso, música alta, da dança solta, da alegria estampada.
Em outra fração, a cor esmaece, tons pálidos. Rádio desligado. Repetição. Mesmice. Papo de tia, dqueles que você olha e pergunta: isso é comigo? O bom que é tão chato, que vaza mesmo! Comportamento de outrora, com cheiro de adolescência, mas que me acompanha sempre. Identidade?
E aí fica a sensação que é preciso arriscar mais. Deixar entrar.
A festa fluirá, aqui mesmo, tanto no meu silêncio como na agitação interna. Tambor forte, grito tribal...pronto, pleno para se lançar. Tá esperando o que?
A festa vai começar!

27 de jun. de 2012

Esse chão me abraça

E nesse colo abro a janela e vislumbro a impermanência: nela, tão querida, que saiu de cena, e deixou borboletas impressas no corpo e na alma de tantos; nele que pegou nova estrada; no pequeno que será eternamente menino.
Ah, a impermanência. Cessar. Mudar. Sentir antes de compreender.  
E sentindo revela-se inteira. Nua. Crua. Verdadeira.

E invade novos cantos, novas frestas, retira daqui e coloca ali e me leva um pouco junto.
E os rebentos ganham estrada, desvendam mundo, cumprem o que foi ensinado e imediatamente agradeço.

Nesse agradecimento -  lampejo do ontem: onde aceitei, confiei e entreguei.
É vida que segue. Nada é permanente, a não ser a própria impermanência.
E esse chão iluminado? Canta ao meu ouvido.
E nessa melodia me mostra outra forma de perceber também a força da ausência...TÃO PRESENTE.

E ela vem dourada, movimenta-se com graça e desperta a deusa, que não acha as suas vestes e se sente a maiiiis bela das criaturas.
Assim corpo, alma, coração se postam diante do espelho.
Saio. Troco de cenário.
Mas sempre acompanhada por esse reflexo, que por um momento tem cheiro, cor e nome: prazer.

18 de mai. de 2012

Corpo feliz, alma em paz

O toque que seduz é o mesmo que reverencia.

O profano-sacro. A mistura mundana no templo mais sagrado.

Tantas P-O-S-S-I-B-I-L-I-D-A-D-E-S...

E o mais fantástico: reconhecer que sempre estive aqui; que aqui é o meu lugar, minha morada mais sagrada.

Estou em casa.

22 de abr. de 2012

Qual é o pente que te penteia?

Eu descobri aos 52 anos que cabelo embaraça; que meus cachos fartos de menina me caem bem, quando me olho no espelho. Que escovas progressivas e de chocolate, ESSAS, não me caem tão bem, mas também não são de todo mal. Até pq me reconheço progressiva e o chocolate, adoro.

Eu percebi, num encontro com Charlie Brown, que hoje tenho mais perguntas que respostas, mas sem a ansiedade dos vinte anos. Que o novo direcionamento não me assusta mais, que as grandes afirmações de outrora estão de volta e soam como mantra: crescer, produzir, plantar. A colheita será mais tardia, mas os frutos - mais doces.
Eu sei que a estrada ficou mais longa, mas que a yoga me dá resistência física, necessária, para segui-la, e o discernimento, nas encruzilhadas.
Eu desejo, que a energia que sinto nesse momento, permaneça; que o brilho nos olhos no toque roubado, me escorra pelo corpo, com toda essa suavidade.

Eu confio, e confiando, relaxo.
E relaxando...aff!

1 de abr. de 2012

Fantasias

Sempre soube que é preciso abrir o guarda-roupa e escolher o traje certo para esse ou aquele ambiente.  Mais que espaço, a roupa certa para o momento certo: festa, missa, casamento, enterro...
Sempre soube, mas nunca fui muito rígida nesse quesito, como em muitos outros. E esse olhar da roupa certa - para momento adequado - pode ter sido ponto de partida. Pq não usar o que se quer em qualquer lugar?
Pensamento pequeno, de criança, pueril, mas como verdade absoluta. E com certeza uma primeira bandeira e também a primeira sonoridade: “essa menina tem cada uma...”
Então ia missa de short, sentava pra brincar na areia com o vestido de domingo e sapato de verniz. Terrrrrrrrrrrrezzza....Então, tá!Assim o meu guarda-roupa tinha poucas vestes e ao longo do tempo percebo que também usava poucas fantasias, apenas a estritamente necessária para não ficar muito aquém do habitual.
Figurino e cenário. Unidade, pra mim. Conflitante para o outro.
Assim fui uma menina no meio de 3 irmãos - que soltava pipa de manhã e brincava de boneca à tarde. E a boneca dormia, sorria, era filhinha e num dia qualquer, era enforcada num bang bang,numa batalha frenética de mocinhos e bandidos, com a corriola da rua.
Essa unidade estava embutida no simples prazer de transitar com a mesma alegria por tantos universos.
Cresci.
Filha, mulher, mãe, trabalhadora, um ser solto, por mais amarras que me rodeavam.
Lembro que quanto filha, dizia, se tiver filhos, assim não farei. Não acertei sempre, mas nos momentos mais duvidosos de mãe, que o natural seria repreender ou proibir, dizia, “não quero isso pra mim”, portanto não quero pra eles. E me pegava viajando no tempo, enrolando pai e mãe para fazer o que desejava. Não! Não é preciso.
Nos erros e acertos, permitir todas as escolhas, com ônus e bônus. Mas sinto que eles sempre tiveram mais o benefício das suas próprias decisões.  Mesmo que eu não achasse o caminho – CAMINHO, era o caminhar deles.
Mas não era o meu. Então na torcida ficava. Vibrava. Orava. Entregava.
Enquanto meninos, fácil. Homens: aprendizados, todos possíveis.
Recentemente me vi na maior tempestade de minha vida, e a última (anota aí). Me vi questionando onde acertei, onde errei, se me arrependendo do meu caminhar ou não?
O turbilhão me sufocou, mas não perdi totalmente o ar. E voltei ao primeiro guarda-roupa, o desejo de usar uma veste e poder viver em qualquer cenário como o mesmo olhar.
E voltei a cada palavra, discurso, que dei como ensinamento para os meus e usei em mim mesma.
Nossa, ir e vir, retorno de todos, cartas ao vento, construção da reconstrução.
Hoje, não me arrependo de ter dado sempre o direito de decisão e de escolha.
Mesmo quando não fui mais escolhida por quem ensinei a escolher e a tomar decisões. Era a escolha dele. Também legítima.
Algo em mim dizia, ele sabe, aprendeu, precisa dessa lacuna, desse distanciamento, está tudo lá dentro.
E está.
Não há mais o que dizer. É ter a sensação que acordamos juntos. Que ontem o tirei do berço e hoje assisto o seu bem viver.
 E saber - que por mais que seja preciso sofrer para crescer e, mais ainda, *para ensinar o outro a andar, o resultado - verdadeiro, real, transparente. Sem teatro, sem sopinha de letras.
Quando é ruim – É MUITO RUIM.
Mas quando é booooooom, é dizer, parabéns, moça, você acreditou, seguiu e escolheu sua veste para estar pronta para qualquer ocasião.
Se me arrependo de algo nessa jornada? Sim, me arrependo. Por mais que toda psicologia diga o contrário: não é bom se arrepender, blá blá blá. Pode ser... pra uns.
Me arrependendo sim, lamento algumas coisas, decisões erradas e carrego tudo isso na bagagem, já sem peso. É minha história. E quem não tem uma cicatriz, não é mesmo?

Agora que esse guarda-roupa lá traz foi um belo ponto de partido, isso foi.
Nunca tive receio de entrar num baile de havaianas, pq meu coração bailava sempre, pra mim e não para o outro.
Agradei a maioria? Aff! Com certeza, não. Nooossssa, não mesmo!!!!!
Mas agrado uma bela minoria e acima de tudo, a mim mesma.