21 de jul. de 2011

R E C O L H I M E N T O

O recolhimento é trabalho, o acolhimento resultado.
E me acolhendo -  processo.
E nesse processamento há etapas: olhar de frente, reconhecer toda fragilidade,
registrar a dor, permanecer o tempo necessário para  PROCESSAR.
Aterrar... até brotar.
Assim tem sido, assim tenho vencido etapas.
Uma de cada vez, sem solução mágica, mas com total transparência diante do meu espelho interno: o feio, o pequeno, o medíocre – há reflexos muitas vezes.
Mas como esse respirar me conduz, como esse mergulho interno lava, transmuta, gera um prazer único, finito ainda, mas tão sólido.
Não falo mais em guerra ou batalhas. Em vencedores ou vencidos.
O que me cabe -o que posso acessar - Eu.
E nesse retorno, nessa reconstrução -  além das minhas próprias ferramentas, recebo outras,  que me  ajudam  a revolver a terra.
E assim renasço, broto.

15 de jul. de 2011

Assim é o caminhar.



Ela veio aberta.
Para você poder ir e vir.
Entrar, sair, não se dividir.
E no andar solitário, a certeza da companhia.
Presente na alma, marcada no corpo.


14 de jul. de 2011

Elasticidade


CHEGA UM MOMENTO EM QUE É PRECISO ABRIR MÃO: deixar correr. Soltar e se perceber.
HÁ UM MOMENTO QUE É PRECISO OLHAR DIFERENTE: abandonar histórias. Trocar os padrões.
É O MOMENTO DO NOVO: que não é isso. Que não é aquilo. E é outra coisa.
E sendo outra coisa me adapto.
Até pq esse ir e vir, clichê, gato e rato, cansa.
E não sou gato. Não sou rato. Mal como queijo. Prefiro manteiga.
E respiro. Busco dentro mim a tal fortaleza, quem vem mesmo da minha total fragilidade.
E ME RECOMPONHO.
Ainda sem muletas, mas elas me espreitam - encostadas ao armário.
Há quem diga que não preciso.
Que o sorriso ilumina, abre novos caminhos, expande a mente.
ELASTICIDADE.
Também do corpo, da alma e das novas possibilidades.

9 de jul. de 2011

A Bahia está em mim...

O colorido, o afeto, a fé, o gingado, a explosão, a leveza de quem caminha.
Nas ladeiras a força de uma raça, o sorriso além mar, desfilam nas pedras polidas pelo tempo.
Ah, Bahia, de todos os santos e SANTAS. Da nega fulô, da Praça Castro Alves, dos casario do Pelourinho, da Liberdade, das ruas e vielas com gosto de pecado.
Do desejo estampo em vestes, pulverizados nas calçadas. Gente bonita, multicolorida, multiraça.
Santos, orixás andam ao meu lado, espreitando, fitando de longe, reconhecendo o desejo de quem ama a rua e se escora nas esquinas.
Ah, Bahia quintal do meu prazer, da minha gente, de tantos amores.
Sacra-profana, mas com total divindade de quem deita a rede, fecha os olhos e abraça tudo isso.

29 de jun. de 2011

Balanço semestral

Fechamos o primeiro ciclo.
Balanço: pra lá de positivo, palavras dele.
O amor cresceu? Ele diz que não. Mas agora tem apego.
Concordei. Até por que amor nunca nos faltou. Vem de longe, do tempo dos Pataxós---hães. E cá entre nós, o meu indiozinho não mudou muito. Mas é esse - apego gostoso  - que gera a tal da saudade...
...que vai me deixar meio assim, sentindo a ausência: na foto, no click, no piquenique. Até das trapalhadas...
Quanta FLEXIBILIDADE exercemos. Eu cedi, ele também.
Nos enfrentamos, nos respeitamos, nos abraçamos,
sempre e muito.
Difícil para ambos, mas crescemos os dois.
E como todo grande amor, esse também precisa de férias.
Até porque amores maiores o aguardam.
A tribo está em festa, fogueira acesa, taba arrumada.
E enquanto isso a minha oca será perfumada para receber o belo pataxó, que chegará de mala cheia, coração em festa e aquele olhar doce, que o TORNA filho caçula e enche a casa.

13 de jun. de 2011

Clube de esquina

Voltar ao banco da escola.
Sentir-me assim como se nunca tivesse saído da festa.
 Tomar café na padaria depois de uma longa noite de papo, de um povo bacana, de acontecimentos tão iguais, tão diferentes, tão distantes, tão pertos.
Nunca me perdi dessa esquina, mesmo longe. Impressionante a sensação de igual, de sempre, de conquista, reencontro, do novo com gosto de casa.
Balaio de gatos, de gente, de cores, sabores, experimentos.
Tudo tão novo. Tudo tão antigo. Tudo tão bom.
Novas caras, novos toques, novas partituras, outra trilha sonora...
E saio para dançar.

11 de jun. de 2011

Aff...

Tem algumas escolhas que são difíceis.
Vem um cansaço, uma
vontade de não prosseguir.
 Aff...
Partilhar o partido.
Dividir o dividido.
Tão exaustivo, mesmo sendo
eu a interlocutora.
 Parece complicado, mas é de uma
simplicidade ímpar.
É preciso respeitar o coração.
Tomá-lo nos braços, cuidar.
Abraçar a si.
Silenciar.
E ficar assim...

9 de jun. de 2011

Amor grafitado


As marcas estão pelo corpo.
O que realmente importa, também na alma.
O amor grafitado: filhos, familião, escolhas de vida.
A possibilidade de se aconchegar  em mim mesma
e sentir esse esse carinho infinito pela vida e pelo desejo pleno de experienciar, me emociona.
Tão bom quando é bom. Tão bom quando acontece.

7 de jun. de 2011

A mais bela veste

Cuida.
Cuide.
Na verdade, só você pode - cuidar.
E cuidando bem de si se torna cuidadoso com o outro.
E é fácil se sentir cuidado, adocicado, mimado, carinhos, toques suaves,  objeto do desejo. Ah, que aconchego.
Tão bom ofertar, perceber o bom e também o bem.
O universo conspira - você agradece - e costura com laços de fitas e chitas coloridas.
E hoje sabe, sente...
...que o laço é escolha sua, o tecido colorido também.  
E se o outro não cuidou de tão bela veste, não é  mais um problema.  Há outros “cabides” na forma, no jeito, no desejo de se enfeitar e sair para dançar.  

6 de jun. de 2011

Santa dieta

Sempre tive a sensação de ter alma gulosa, gorda, farta. Realmente faminta. Não que o corpo hoje não acompanhe toda essa silhueta etérea, mas no momento isso não vem ao caso, até pq está sendo - levemente - cuidado. Mas voltemos à alma...
Com ela nada é diet. Tudo é muito caramelado, coberto chantilly, salpicado de chocolate.
A sensação não é nova, me acompanha há muito, sei lá há quanto tempo.
Por um longo período tentei ignorar essa alma esfomeada, desejosa de tantas calorias. Neguei sim, mas belisquei aqui e ali,  com muita parcimônia, fique o registro.
Mas agora, já: essa alma se nega a qualquer restrição, dieta, controle.
Tá solta.
Se exibe robusta, corada e se farta num grande banquete.
Essa energia, apesar de sutil, emerge como vulcão e devolve-me a maçã rubra, no simples ato de respirar, mergulhar e voltar à tona,  experimentando tão doce contentamento.
E assim troco de receita, não mais a dieta do pão, mas do pão de cada dia, na forma de um belo sanduiche, gordo e suculento, como a vida oferece. E eu?!? - Me lambuzo.

27 de mai. de 2011

Contentamento

No dicionário, ação de contentar, de satisfazer.
Estado de quem está satisfeito.
Alegria, satisfação.

A explicação não me satisfaz.
Contentamento é muito mais que uma sensação. É sentimento. É estado permanente, e trabalhoso de se conquistar.
Mas como é possível.
Mesmo que seja assim, uma bolha, um portal, sei lá, o nome que quiser dar. Até por que o contentamento é seu. Mas nesse não tenho acesso.
Bom, voltemos ao meu.
Perceber este total conforto, estar em estado de prazer, alegria, entregue, relaxada, como se nada mais precisasse no mundo, como se nada mais me faltasse...? É CONTENTAMENTO.
É tão impalpável, mas real. Forte. Visceral. Único.
E poder perceber isso...
Sentar-me acomodadamente dentro de mim, é sublime.
Não. É CONTENTAMENTO.
Voltemos. R  E  S  P  I  R  A  R.
Pranayama.
Ah, e a tal sensação não é desse mundo. Mas é mundana, sacra e também profana. Até por que sou um pouco de tudo. Naturalista? Não! Misturalista.
Misturo tudo, experimento, e fico com o CONTENTAMENTO.
Que é meu. Que é diferente do seu.
Ou não.

17 de mai. de 2011

Caminho do meio



Tudo passa.
E passando, passo.
Passo a passo. Buscando novo caminho.
O caminho do meio.
Do equilíbrio. Meu. Não do outro.
Que pode me perceber - equilibrista.
Mas é meu. Meio equilibrista, mas é equilíbrio.

16 de mai. de 2011

Pensei em você

Te espio de longe. Respiro, e assim a abraço.
Abraçando-a volto no tempo, no sorriso farto,
na alegria estampada, nas pinceladas coloridas
da minha adolescência.
E reconheço cada pigmento no reencontro recente,
no mesmo jeito, seu e meu, de estar. Um capricho do
tempo, que perde peso, anos, horas e minutos.
Assim percebo o que sempre soube, o que -É-, é atemporal.
É casa antiga, amor fraterno. É caminhar de mãos dadas com a nossa história de vida e sentir prazer imenso
com o próprio caminhar.
Te saúdo, Bebel!

10 de mai. de 2011

...

Se me fixar no hoje: não reconheço.
Se olhar para ontem, agradeço: o encontro, a construção, a procriação, a estrada.
E é onde fico no momento, por um tempo, assim - como proteção.
Aquele que conquistou um dia – NÃO RECONHEÇO MAIS - hoje em dia.
Mas esse, não me pertence - por mais, que por agora, me afete, tudo será muito BREVE.
E...sigo.
E no seguir me deparo com a minha própria história, fragmentos, imagens, alegrias, também a INDIGNAÇÃO.
E esse sentimento tão novo, forte, pode ser positivo. E assim o faço.
Respiro, me entrego. Encontro em mim mesma as ferramentas de mudança.
Faço de toda a minha fragilidade – FORTALEZA.
E nesse templo, me reconstruo.
E olho - cada desconstrução - como peça nova, que não serve no meu tabuleiro.
E se o tabuleiro não serve, reconheço na foto antiga a bela história.
E há de chegar o momento, apenas da bela foto, como doce lembrança, DIGNA e distante de tudo isso
.

5 de mai. de 2011

Siga a luz





Você olha pra fora. Você busca. Percebe até no outro. Por um momento acha que é.
Mas percebe que é maior: vem de dentro, ganha espaço, movimento caleidoscópico. Soma, multiplica, divide para multiplicar mais.
Assim é. Assim tem sido.
E mesmo quando a grande luminosidade ganha contornos de vagalume, você se percebe. E se percebendo: trabalha, respira, invoca, clama, e o vagalume voa.
Às vezes volta com fôlego de dragão, e queima.
Mas a dor do que queima - esfria, e ao esfriar, reconhece em você – VAGALUME.
E por hora, isso basta.

26 de abr. de 2011

...


Não está pronto. Mas está quase.
Cores. Formas. Desejos.
Talvez: desejos –formas – cores.
Está tudo aqui dentro.
É leve. É bom. É sereno. As gavetas que faltam?
Vão esperar.

Não há mais urgência.
Há caminho.
Há desejo. Cores e formas.

14 de abr. de 2011

Ananda Surya

A foto, bela. O momento, de transformação, quase renascimento. O efeito pode ter sido causado pelo obturador da câmera mais aberto. Já que quanto mais tempo estiver aberto, mais luz entra. Assim é com o obturador, assim é comigo, assim é com tantos. Quando mais me abro para mim mesma, para tantas possibilidades, mais iluminada me sinto. Portanto, se o obturador que captou tanta luz e beleza, é o da câmera ou da minha alma, ou da sua, ou ainda - a soma de todos nós - não faz muito diferença no resultado final. Fico com a sensação, com a clarividência de um instante, e com a sensação plena que somos energia, luz, células vivas dentro de uma célula maior. E se não é isso ou aquilo, vai se saber. Mas faz diferença? Namastê. (Ju, obrigada).

13 de abr. de 2011

Quem canta...



Você sabe qual a sua trilha sonora? Seu background? Quais os acordes que abraçam a sua alma e revelam as partituras, ritmos, embalos, fatos, fotos, acontecimentos, momentos? Por mais que tudo mude, a clave de sol tá impressa no seu DNA, não há como separar, escolher outro tom. E quando David Gilmour pega a sua guitarra, me aninho em mim mesma, no meu templo e canto.

Eu faço o meu caminho e sigo...


Essa ponta que se junta? Faísca. Vibra. Mexe. Ilusão? Não acredito. É sentido. É forte. É latente.

E assim sigo.

Passos lentos ( como diz aquela música?) porque já não tenho pressa.

E sem pressa, chego mais longe.

9 de abr. de 2011

...

A vida tem dessas coisas, de repente uma onda gigante varre os castelos que julgava eternos. Remove a terra, vira literalmente de pernas para o ar.
E você sabe que a mudança é a saída: e muda, muda, muda aqui, muda ali. Refaz, respira, se joga, confia.
Mas no meio de todo esse processo, meio escravo de Jó, que tira e bota, você percebe a serenidade, o colo doce, o abraço quentinho, asas de anjo – DIRIA.
Ele te pega pela mão, e acompanha; e ampara; e  protege; e se faz anjo.
E aí, agradeço ao universo, sentindo-me privilegiada, por  receber sem pedir, por ter onde chegar, arriar as malas, pousar com tanto esmero.
Amigo, te amo. Essa é pra você.

8 de abr. de 2011

Colcha de retalhos

Fragmentos. Retalhos. Olhar pra mim neste momento é perceber a quantidade de bagagem que acumulei ao longo da vida. Como guardei coisas, na certeza que sempre teriam o mesmo brilho, a mesma cor, o mesmo prazer. Que necessidade é essa de eternizar um momento qualquer? O que sei hoje – que o eterno é agora. É este momento aqui: em que escrevo, beberico uma amarula, largo a caneta e viro a página.

6 de abr. de 2011

...

...que coisa mais difícil essa arrumação. Tantos pedaços, cacos, frações, divisões, perdas... Hora da faxina. Jogar fora. Mudar para mudar. Levo o novo e deixo para traz um rastro: fotos, bilhetes, cartões, CDs, livros, pincel de barba, enfim o cotidiano de uma vida. Fogo, fumaça, vazio. Agora me sinto oca, mas sei que esta sensação é espaço. É janela aberta para tantas possibilidades.
(vou pra Ananda Surya – respirar este momento, esvaziar)

...

...e lá cheguei. Coração apertado, mas um desejo solto, leve, de não me perder do momento e do caminho que se traça. A luz, o som, a energia...Aquele chão me abraçou. Acolheu-me com a leveza que minha alma pedia e meu corpo necessitava. E o universo respondeu lindamente, usando como instrumento quem ali ensinava, e o mantra da compaixão ecoou pela sala, no meu coração, vibrando em cada respiração. Om mani padme hum.

5 de abr. de 2011

Quantas faxinas terei que fazer para ver a interna em ordem? Haja tranqueira, gavetas abarrotadas: papéis, revistas velhas, pedaços do tempo em folhas amareladas. Haja coragem para organizar o que está dentro. Haja ânimo para não abandonar a busca. Mas... HÁ RESOLUÇÃO. Há um caminhão de coisas para jogar fora. Há outro caminhão, que vai encostar aqui - daqui a pouco. Transportará móveis, objetos e esperanças. E nessa mudança toda, tenho a certeza que os meus lápis de cores não se perderão. Estarão lá, prontos, e assim pintarei novo caminho.

4 de abr. de 2011

...


De mansinho. Suavemente... Vou me colocando melhor, me encaixando na vida, sem muletas ou acessórios. E essa pequena sensação de dona da rua me conquista, docemente.

2 de abr. de 2011

Crônica da vida privada

Com o é difícil a coerência diante do inesperado। Nem no maior dos pesadelos poderia imaginar um embate tão cruel। É o avesso de uma vida. Mas o que estará embutido? Qual a mensagem real? E mais que isso, qual o aprendizado? Ou simplificamos e aceitamos que tudo é AÇÃO e REAÇÃO? Minimalista demais, não acha? Mas se essa reação vier alinhada com a minha forma de enxergar e viver? Seria o avesso do avesso?!? – PARA O OUTRO. Para mim seria casa, o meu próprio olhar, minha imagem plena diante do meu espelho. A minha coerência está fincada na terra e não no etéreo. Mesmo sabendo que o meu enraizamento é alcançado no etéreo, no respirar profundamente, no me voltar para dentro e não para fora: ali brota o que me move e alicerça.Posturas firmes, definidas, DEFINITIVAS – mas com a suavidade que o universo clama, que busco, e o outro não entende.Mas a compreensão do outro não me cabe. Me cabe, ah...a busca permanente da alegria, nessa fonte, que sou eu mesma. Essa alegria que conduz, me governa e me faz feliz.Mas se o período é guerra – escolho as cores e pinto.

31 de mar. de 2011

...

Você conhece o melhor de mim, e o pior. O melhor é mais belo com você. O pior, mais real, transparente e sem máscaras. O que me faz olhar – reconhecer – trabalhar – PARA TRANSFORMAR. Com você nada é morno. É latente. Rico. Vibrante. Você é meu espelho mais fiel: as cores pulsam, pulam, transbordam, enfeitiçam. Você é meu vício - meu pecado – doce, suave, terno, forte, leve.

20 de mar. de 2011

Aumenta o som


Não ser discurso é o meu enredo, meu samba canção, minha trilha sonora. E como é difícil afinar os instrumentos e colocar o bloco na rua, sem atravessar. Encontrar o compasso certo, sem desafinar. Às vezes, um banquinho e um violão. Rock pesado. Sinfonia. Tanto momentos, momentos para todos os ritmos. E a certeza que mesmo dançando, dá pra bailar e gozar no final.

14 de mar. de 2011

...

Cheguei de viagem. E com a bagagem bem mais leve. Percebo que estou ao sabor do vento, mas com os remos nas mãos.

2 de mar. de 2011

Tem cheiro. Tem sabor. Tem cor, forma, tem pegada. Sonhar dessa maneira é como vivenciar: e o gozo vem no gozo do outro; no seu próprio, que realmente não é seu e nem dele. Cheguei à pior parte do processo: a saudade. Aquela falta. O corpo arrancado do ninho. Mutilado. Todos os absurdos miseráveis da alma humana, tornam-se nada diante da saudade. E todo fez que me lanço profundamente no aprendizado, sonho assim. E é a yoga que faz isso comigo. Transforma meus sonhos em tela viva। É um portal, um ganho, uma dádiva. Resultado do pranayana. Acordei molhada e triste. Mas essa mesma yoga me oferece ferramentas – aqui e agora – escrevendo, esvaziando, partilhando। Vou sair। Fotografar o voo alheio. E essa saudade há de se tornar brisa e não ventania.

30 de jan. de 2011

Urgência

Eu frequento esse mundo há pouco mais de 50 anos. Devo ter frequentado outros, mas vamos nos ater a esse. Se o ponto de partida desse olhar for o vivido, esbarro em tantas imagens, e vejo os risos que ecoam pelos cantos da casa. Existem alguns sentimentos que nos arrebatam de tal forma, que falta o ar, falta o chão, falta quase tudo. Instala-se uma urgência, no mais amplo significado da palavra. Ah, palavra, verbo, expressão, fica tudo tão vago, tão confuso, sem significado. Mas esse turbilhão de emoções impulsiona, me faz querer ter ou transmutar, me tira da inércia, me obriga a seguir em frente, apenas pelo desejo do regozijo. Fecho os olhos e me pergunto: o que pode ser mais urgente que a saudade?

Saudade: sentimento mais ou menos melancólico de ausência, ligado pela memória a situações de privação da presença de alguém ou de algo, de afastamento de um lugar ou de uma coisa, ou a ausência de certas experiências e determinados prazeres já vividos e considerados pela pessoa em causa como um bem desejável"।


A definição técnica do dicionário está longe de traduzir essa pressão no peito que te faz desejar, que te lança ao objeto dessa urgência। Muitas vezes, o desejado já vive em outra esfera, não está mais entre nós. E para abrandar essa saudade, o recolhimento, a oração, e o prazer das lembranças. E é aí que somos imortais. E o que foi bom, será doce sempre.

E quando essa mesma urgência reside no outro lado da rua, mas o que separa é muito mais do que a partida? E quando o recordar não é viver, mas sofrer? Aí, registre, respire, se olhe no espelho e perceba o quanto você também sente saudade de você mesmo, da sua leveza, do seu sorriso, da sua alegria. E a urgência ganha outra cara, e a saudade tons mais pastéis. E você levanta, e sai às ruas com você, a sua melhor companhia, e descobre que o outro é apenas reflexo do seu olhar, do que criou para si mesmo. E você segue em paz.

Para quem não sabe,

30 de janeiro é o Dia da Saudade.

1 de nov. de 2010

Tia Soninha morreu.

Há quem diga que ela estava pronta, que tinha chegado a hora, e não havia o que a fazer। Há quem diga que ela foi em paz। Mas será? Sei lá. Sei que ela teve um infarto na última sexta-feira, 29 de outubro. Foi levada para o Hospital de Rio Bonito. Constatada a gravidade, colocada numa ambulância para ser transferida para uma unidade que pudesse atendê-la como a eficiência técnica que o caso exigia, em Niterói. Não deu certo. Teve parada cardíaca dentro dessa ambulância, para o desespero de todos e principalmente de sua filha, Marcela, que ao seu lado assistia a tudo. Reanimada, depois de 20 minutos, retornou ao ponto de partida. O corpo médico do Hospital Darcy Vargas fez o que pôde. Incansável, mas guerreiros sem armas para a batalha. O Hospital Darcy Vargas, reformado, não tem UTI. Mas tem piso de granito. Foram horas de tensão, a família sendo informada que ela não tinha condição de outra tentativa de transferência. E lá ficou, entregue à dedicação de médicos e enfermeiros, às orações de muitos, e à dor de tantos. Não deu certo aqui na terra. Sônia, aos 57 anos, deixou filhos, netos, marido, gente apaixonada, dependente do amor dela, da forma doce, pra cima, pela qual encarava a vida e suas dificuldades. Deixou a nós todos, a família, que a ama. Vamos colocar que realmente era a hora dela, sei lá. Mas fica difícil ter esta certeza se ela não teve a chance de receber os cuidados de que precisava. De ser tratada com as ferramentas que a medicina do século XXI coloca à disposição do cidadão. Aqui mesmo, bem perto, no Hospital Santa Helena, em Cabo Frio, a UTI cardíaca é referência para toda a região. Mas não tivemos como chegar lá. Fica o gosto amargo, o sentimento de incapacidade, de que podíamos ter feito mais. Fica uma família despedaçada. Que a nossa dor seja um alerta: forte, gritante, urgente. Que outras Sônias, também tão amadas, possam receber desta cidade o respeito do poder público, traduzido em eficiência e excelência de serviços médicos. Que o Hospital Darcy Vargas tenha mais do que piso de granito e maquiagem de cena. Que o investimento seja real, no que realmente importa, e onde salva vidas. Navegando pela internet, encontrei bela reportagem sobre a transformação do Hospital Darcy Vargas em referência cardíaca. Mas isso foi no mundo virtual, não é real.

2 de abr. de 2010

...


Cresci olhando pra ela. Subi, desci. Levei os amigos. Os amigos me levaram. Juntos, trepamos em árvores, caçamos aventuras. Mergulhamos , corremos, brincamos, CRESCEMOS. Nos afastamos, mas ela sempre ali: soberbamente bela.O tempo passou. E quem um dia acariciou

hoje maltrata. Se não pela devastação, pelo silêncio. A indiferença fere tanto quanto o machado। Salve a Serra do Sambê, salve o nosso quintal, pedaço da gente, pedaço do mundo.

Tempo...tempo



Não pausar o tempo, mas recebê-lo - o que ele traz de longe. Risos reconhecidos, abraços fraternos, gargalhadas infantis. Aquela vontade estar, sem o menor comprometimento com nada, com o ambiente, com o vizinho, com a idade cronológica. Por um momento a criança saltou e o adulto permitiu o correr na chuva, o roubar fruta na casa de seu Bicudo, traquinagem de outrora, com descrição de poesia. Nem sei se combina, mas flui, internamente, e jorra alegria com cara de choro. Que bom saber que essa menina mora aí e continua tão ativa. Que bom reconhecer a outra menina, e brincar. Que bom saber que essas meninas construíram um caminho bonito, cercada de gente bacana, parida com tanta doçura. Que delícia essa troca, esse reencontro... ...Se está esperando um final, não tem. Agora vamos juntar esse povo todo, os seus, os meus, filhos, periquitos e papagaios. Vamos colocar todos no mesmo caldeirão, saborear esse caldo, com gosto de fruta madura, de gente querida. Poesia, arte, amizade... Cabe tudo nesse balaio: eu, você e quem mais chegar.

29 de dez. de 2009

Mauá......................

Arrumo as malas para seguir viagem. Levo na bagagem o recolhimento, o desejo de passar, apenas passar... em sintonia comigo. Foco na mudança, tão necessária. Busco a renovação. Firmo o compromisso de não me perder de mim mesma. Quero a alegria como companheira, mesmo no silêncio. Cachoeira, mata, trilha. Abraço o universo e sigo.

14 de dez. de 2009

Foi natal...


Ganhei uma pulseira. Tão linda. Tão leve. Ela veio com o Natal, que veio antes, que veio num formato diferente, que veio com mesmo carinho. Papai Noel veio; mais presentes ele trouxe; para os meninos com cores diferentes, assim era, quando pequenos. Assim foi mais uma vez. Eles!?! Adoraram: toca, filma, grava, quase fala. E Pode? Ipod! 5.0 – última geração. Teve cartinha, de Mamãe Noel. Uma para cada um. O mesmo texto, mesma história, mas o formato foi diferente.